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Derivados de rutênio para o tratamento de câncer

Escrito por Tatiane Liberato   
Ter, 14 de Outubro de 2014 17:00

DSC 0097 reduzidaOs compostos utilizados no tratamento de vários tipos de cânceres (como de ovário, testículos etc.) atualmente são feitos à base da platina, que apesar da eficiência, possuem graves efeitos colaterais como tontura, queda de cabelo, náuseas, até a debilitação do paciente. Objetivando minimizar estes efeitos, os pesquisadores Alzir Azevedo Batista, Márcio Aurelio Pinheiro Almeida e Angélica Ellen Graminha do Departamento de Química da UFSCar e Elisângela de Paula Silveira Lacerda, Hellen Karine Paes Porto, Aliny Pereira de Lima, Jordana Ribeiro Soares, Edjane Rocha dos Santos e Francyelli Mariana dos Santos Mello da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveram potenciais fármacos inorgânicos à base de rutênio, que podem ser utilizados com alta eficiência no tratamento de doenças cancerígenas e com efeitos colaterais minimizados, resultando na invenção Composições Farmacêuticas à base de derivados de rutênio divalente e uso das mesmas.


Para desenvolver a patente, os pesquisadores se basearam em diversas concepções químicas utilizando o metal, que embora não seja essencial para o sistema biológico, possui química similar ao ferro, que é um dos elementos presentes no organismo. Além disso, os pesquisadores agregaram aminoácidos a esses compostos, que também são naturais no organismo. A partir daí, eles objetivaram desenvolver fármacos que pudessem ser assimilados pelas células, enganando-as, já que elas reconhecem um aminoácido como tal, e esses compostos tendo também aminoácidos, poderiam ser enganosamente reconhecidos pelas células. Ou seja, esses compostos atuariam como "cavalo de Troia". Ao penetrar nas membranas celulares, eles podem atingir o alvo que é o DNA, embora outros alvos possam ser o objetivo do centro ativo destes fármacos.


Levando cerca de quatro anos para ser desenvolvida, a patente foi fruto da dissertação de mestrado de Márcio Aurelio Pinheiro Almeida. Após sua realização, os pesquisadores se uniram para continuar trabalhando na tentativa de "fugir" dos fármacos atuantes no mercado cuja ligação química é forte entre o DNA e o fármaco em si. Para isso, o objetivo já era desenvolver compostos com outros mecanismos de ação que minimizassem essa interação.


Segundo Alzir Batista, um dos pesquisadores, o principal diferencial destes compostos com relação aos alternativos do mercado, é que eles foram trabalhados à base de metal, ou seja, com o rutênio – composto cuja química é similar à do ferro. E por conta disso, não permitem uma interação direta do metal com o DNA. "Trata-se de uma interação que pode ser eletrostática, modificando simplesmente o DNA em termos de conformação e não através de uma ligação química. No nosso entender, o que causa o aspecto negativo dos fármacos comerciais é justamente a interação química forte do mesmo com o DNA", explicou.


Para chegar ao resultado final, os pesquisadores realizaram testes na UFSCar, cuja avaliação dos fármacos mostrou suas atividades e contra vários tipos de células cancerosas. Foram utilizadas as células de mama, próstata e pulmão. Além disso, os pesquisadores avaliaram seu mecanismo para saber o quão fortemente esses compostos interagem com o DNA, modificando-o. A partir daí, os testes para compreender o mecanismo de ação, e em que parte do ciclo celular os compostos atuam foram feitos em Goiânia, na UFG, na Faculdade de Medicina em Ribeirão Preto e na Unifran em Franca.


Dentre os resultados, Alzir afirma que a ideia era modificar o DNA de forma que ele não produzisse mais células cancerosas e esse resultado foi obtido. Os compostos inorgânicos controlaram o crescimento do tumor de forma mais efetiva do que os fármacos comerciais, ou seja, se mostraram mais ativos e mais eficientes que os comerciais nos testes in vitro. A próxima etapa será verificar se estes compostos serão viáveis para testes clínicos com pessoas. A ideia dos pesquisadores é alcançar parceiros que realizem testes em hospitais, atraindo-os para esse tipo de pesquisa, que não envolve somente o químico, mas também o matemático, farmacêutico, médico etc. Além disso, o pesquisador explica que o custo destes compostos inorgânicos pode ser mensurado pelo tema de pesquisa, cuja intenção é utilizar um metal mais barato e, por isso, mais acessível, diminuindo cerca de um terço dos custos em relação aos fármacos comerciais.


O principal interessado na patente será o paciente de doenças cancerígenas, cujo número cresce ano a ano, por muitas razões. O pesquisador explica que antes o câncer era aliado à questão genética, ou seja, se o paciente possuía um familiar com câncer, sua chance de desenvolver a doença seria maior. A doença também era aliada ao consumo do cigarro. "Hoje em dia o câncer está em todo o lugar porque o meio ambiente é agressivo. Os nossos alimentos com conservantes, os remédios que tomamos para várias doenças, tudo isso pode ser causador de câncer. No Brasil, se espera um crescimento alarmante de 500 mil novos casos por ano, sendo a segunda maior causa de morte no mundo. Ou seja, ele só perde para doenças cardiovasculares".


Entretanto, para que a invenção esteja disponível no mercado e atinja os pacientes, é necessário que uma indústria farmacêutica invista em seu desenvolvimento, pois um fármaco percorre uma longa caminhada, que dura cerca de 10 a 15 anos. Assim, além de desenvolver as patentes, a ideia dos pesquisadores não é atingir apenas a indústria farmacêutica que busca resultados imediatos com menores custos, mas aliar pesquisas na área. "Felizmente, nós já temos no Brasil pesquisadores das áreas de química, farmácia e medicina envolvidos nesse tipo de pesquisa com compostos diferentes, mas com os mesmos objetivos. Então, em termos de academia, nós temos competência e estamos trabalhando, não só na UFSCar, mas no Brasil de modo geral. Agora precisamos envolver hospitais para a realização de testes pré-clínicos e clínicos, com participação da indústria, auxiliando para que a patente se torne um produto na prateleira. É por isso que às vezes empacamos, mesmo tendo uma boa invenção: não temos experiência em torná-la atrativa para a necessidade do mercado. Então esse é o desafio!", finalizou.

 

 
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