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Vitrocerâmicas Sinterizadas (Cooktops)

Escrito por Tatiane Liberato   
Sex, 31 de Agosto de 2012 09:14

cooktopDesenvolver um material de placas de fogões elétricos altamente resistente a ataque térmico por método alternativo, diferente dos produtos já existentes no mercado internacional foi o principal objetivo da patente Composições de vidros Li₂O–Al₂O₃–SiO₂, Processo de obtenção de vitrocerâmicas sinterizadas a partir das mesmas, vitrocerâmicas obtidas e uso das mesmas desenvolvida pelos pesquisadores Edgar Dutra Zanotto, Viviane Oliveira Soares e Oscar Peitl Filho, todos do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar.


Os materiais vitrocerâmicos, como são conhecidos, surgiram no final dos anos 50. Eles são produzidos a partir da cristalização controlada de materiais vítreos, fenômeno que ocorre quando um vidro, contendo um agente nucleante dissolvido (óxido de titânio, óxido de fósforo, óxido de zircônio, prata, ouro, etc.), é submetido a tratamentos térmicos que variam de 500 a 1.100 graus centígrados. Como resultado desse processo, ele se transforma em um material policristalino, dotado de características diferenciadas.


Segundo o pesquisador Edgar Zanotto, as vantagens destes materiais é que eles também funcionam como isolantes elétricos, e podem ser usados em situações onde a dilatação do vidro provoca prejuízos ao bom funcionamento do equipamento, característica necessária às placas de fogões elétricos. A durabilidade desse material também é uma de suas principais características, pois ele pode tanto dissolver em água como pode durar eternamente, permitindo ser projetado para o uso desejado.


Levando aproximadamente cinco anos para ser desenvolvida, a placa de vitrocerâmica para cooktops foi resultado da tese de doutorado de Viviane Oliveira Soares. O produto é distinto do processo tradicional de produção das placas de vidro atualmente utilizadas em fogões. As placas de vitrocerâmica não transmitem infra-vermelho (calor), isto é, são adequadas especialmente aos fogões modernos, que são aquecidos por indução e não usam fogo, apenas círculos aquecidos por infravermelho onde são colocadas as panelas ou o próprio alimento.


O diferencial deste material é que, além da beleza estética e da modernidade em ambientes de cozinha, uma de suas principais vantagens é a fácil limpeza, que pode ser feita com um pano úmido. Os alimentos podem ser cozinhados diretamente na superfície da placa e sua utilização é destinada a pessoas jovens que moram em ambientes pequenos.


Vista como tendência mundial, as placas de vitrocerâmica desenvolvidas para cooktops na UFSCar poderão ser fabricadas dentro do Brasil e têm como público-alvo empresas que se interessam por produção industrial, sendo licenciada pela Universidade. Assim, por se tratar de produtos inovadores, o invento é destinado a fabricantes de fogões elétricos, já que há um poder de interesse do mercado por resistirem ao intenso calor sem quebrar ou danificar. “Os cooktops são mais atraentes e fáceis de limpar que os fogões tradicionais. Além disso, resistem aos ataques químicos de diversos alimentos, resistem ao calor de até aproximadamente 600ºC e a choques térmicos com diferenças bruscas de temperatura”, declarou Zanotto.

   

 
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