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Compostos de rutênio com alopurinol como agentes antigota e antitumoral

Escrito por Tatiane Liberato   
Seg, 24 de Novembro de 2014 08:07

DSC 0035 reduzidaCom o objetivo de trabalhar com o desenho racional de fármacos inorgânicos (metalofármacos), aplicando uma molécula que já tem utilidade – o alopurinol – a fim de melhorar a atividade deste fármaco pela coordenação de um ligante com um centro metálico – o rutênio –, os pesquisadores Rodrigo de Souza Corrêa, Alzir Azevedo Batista, Angélica Ellen Graminha, Quésia Bezerra Cass e Marcela Cristina de Moraes do Departamento de Química da UFSCar desenvolveram a patente Processo de obtenção de compostos de rutênio com bioligantes, compostos de rutênio com bioligantes e seu uso. A ideia de desenvolver novos metalofármacos anticancerígenos dá prosseguimento à linha de pesquisa implementada pelo laboratório, que já possui outras invenções de compostos com atividade dessa natureza.


O foco desta invenção é a doença da gota, que compreende o acúmulo de ácido úrico nas articulações devido à atividade da enzima xantina oxidase, transformando a hipoxantina, a xantina e depois em ácido úrico. Considerando que o alopurinol – fármaco antigota – inibe a atividade desta enzima, a ideia dos pesquisadores era avaliar se, ao fazer a ligação do alopurinol com o metal (rutênio), esta atividade de inibição da xantina oxidase, ou seja, da produção de ácido úrico seria aumentada consideravelmente. Isso significava verificar se essa combinação fármaco/metal teria um efeito sinérgico para o aumento da atividade biológica.


Para realizar este desenvolvimento os pesquisadores verificaram, por meio de ensaios biológicos, que o alopurinol combinado com metal é bem mais potente que o alopurinol isolado. Estes novos compostos foram "desenhados" para apresentar regiões moleculares semelhantes às bases nitrogenadas do DNA, sendo capazes de interagir com esta macromolécula. O alvo buscado foi o DNA que permite a obtenção de compostos que também atuem como agentes anticâncer, aliando à atividade antigota do alopurinol.


Levando cerca de 4 anos para ser desenvolvida, durante o doutorado de Rodrigo de Souza Corrêa, a ideia da patente surgiu da necessidade de melhorar a atividade do fármaco, tendo como diferencial o fato de ser o primeiro composto de alopurinol desenvolvido através de sua ligação com o rutênio. Segundo o pesquisador, essa série de compostos apresenta maior atividade biológica do que os fármacos isolados disponíveis atualmente no mercado. "Se inibir a produção de ácido úrico é o objetivo para o tratamento da gota, a combinação do complexo metálico do rutênio com o alopurinol se apresenta 10 vezes mais ativa do que o fármaco isolado, o que corresponde a um grande avanço em sua atividade principal", explicou Rodrigo.


Dentre os resultados obtidos, Rodrigo comenta que, com relação à atividade de melhoramento e não a atividade do fármaco, esta ligação de alopurinol com rutênio resultou num efeito sinérgico, fazendo com que o metal auxiliasse tanto no transporte do fármaco até o alvo, ou seja, no sítio ativo da enzima, quanto na interação do novo candidato a metalofármaco com a enzima, inibindo a ação da mesma e melhorando sua atividade.


Entretanto, para estar disponível no mercado, os pesquisadores acreditam que a patente, cujo público-alvo atinge os pacientes de diversos tipos de câncer e, principalmente, de gota, precisa alcançar o investimento de uma indústria farmacêutica. Tendo em vista que o Brasil já possui diferentes grupos trabalhando na invenção de compostos inorgânicos para o tratamento de diversas doenças, para que as invenções cheguem na prateleira do consumidor, o desafio é envolver hospitais para a realização de testes clínicos, com a participação da indústria, tornando-a atrativa para a necessidade do mercado.


Rodrigo estima que o custo para produzir um grama deste fármaco combinado seja um pouco mais elevado do que para produzir um grama de alopurinol isolado, porque os laboratórios já partem de seu uso com outros adicionantes. No entanto, a atividade obtida em comparação com os fármacos atuais reduz o gasto total, pois ainda que o custo seja duas vezes maior, ele é 10 vezes mais ativo, com menos efeitos colaterais, especialmente em termos de atividade anticancerígena agressiva. "Ou seja, se ele custar o dobro, ainda assim vai compor um processo muito mais barato, porque uma das principais vantagens é que estes compostos apresentam maior atividade em células cancerígenas do que em células saudáveis, ou seja, eles são seletivos para células tumorais", finalizou.

 

 
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