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Aplicativo permite registro e compartilhamento de dados sobre peixes da Amazônia

Seg, 29 de Outubro de 2018 15:22

Instituto Mamirauá apoiou o desenvolvimento do Ictio, que compila informações de 20 espécies consideradas relevantes para os pescadores locais.

 

Um aplicativo desenvolvido com o apoio do Instituto Mamirauá está ajudando pescadores a registrar e compartilhar informações sobre a coleta de 20 espécies de peixes das regiões do Médio e Alto Solimões, no Amazonas. As variedades foram escolhidas pela importância econômica e pelo tipo de migração que realizam. Para cada pesca, os usuários anotam dados sobre locais, data e tipo de peixe pescado.

 

A ferramenta, chamada Ictio, foi construída pelo projeto Ciência Cidadã para a Amazônia, do qual o Mamirauá é parceiro. A unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) é responsável por capacitar pescadores das cidades de Tefé, Alvarães, Uarini, Fonte Boa, Jutaí, Santo Antônio do Içá e Maraã. O trabalho envolve comunidades, organizações de coletores de peixes e até escolas. O Ictio está disponível apenas para a plataforma Android.

 

“Nessa primeira etapa, estamos focando nosso trabalho em apresentar para os participantes as funcionalidades disponíveis no Ictio. Em seguida, vamos avaliar junto com os nossos grupos de trabalho como essa ferramenta pode melhorar e ser cada vez mais útil para o dia a dia dos pescadores”, afirmou Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá.

 

A comunidade Punã, que fica próxima ao município de Uarini, foi a primeira comunidade a receber um dos 30 treinamentos realizados pela equipe do Mamirauá. Segundo uma das capacitadas, Ana Vieira Quinha, o aplicativo vai facilitar a vida dos pescadores.

 

“Daqui para a frente, tudo vai ser anotado: a quantidade, quantos quilos, cada espécie de peixe que pegamos. E o aplicativo chegou bem a tempo. Estamos na época da seca, quando os peixes estão ‘arribando’ e pescamos muitos dos que são importante no aplicativo, como o surubim e o caparari”, destacou.

 

Ajuda dos mais jovens

 

A Associação de Pescadores e a Colônia Z-54, ambas no município de Santo Antônio do Içá, também foram apresentadas ao Ictio. Françoise Souza, que trabalha no setor administrativo da Colônia Z-54, vê muito potencial para os pescadores que usarem o aplicativo. Os ganhos, segundo ela, serão econômicos e pessoais.

 

“O Ictio é uma maneira prática de registro, onde o pescador poderá ver a sua produção ao longo do tempo, quantos quilos de peixe ele pescou e até quanto ele gastou com esse trabalho”, avalia. “O uso desse tipo de ferramenta, o celular, não é muito comum para os pescadores mais velhos. Mas isso pode proporcionar interação entre eles e seus filhos, que geralmente fazem o uso mais frequente do celular. É uma boa oportunidade de diálogo entre pais e filhos, que é uma maneira dinâmica de desenvolver o projeto. ”.

 

Comunitários que participam da Associação Comercial de Jutaí (ACJ) e representantes das comunidades São Francisco da Ressaca Grande e Acapuri de Cima também conhecerem o Ictio. Eles vão utilizar o aplicativo com o auxílio de um grupo de jovens e de pescadores mais experientes, especialmente indicados pelas comunidades para promover intercâmbio sobre pesca.

 

“A gente espera que esse projeto venha a ser um sucesso, porque juntos podemos saber mais sobre os peixes e suas migrações aqui na região”, apontou Ocemir Gonçalves dos Santos, presidente da ACJ.

 

Fonte: Portal MCTIC

 

 
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