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Da academia às empresas: desafios da inovação e do empreendedorismo no Brasil

Sex, 26 de Outubro de 2018 15:03

Excesso de burocracia foi um dos entraves citados pelo presidente da Firjan e pelo diretor do conselho técnico-científico da Fapesp em debate no Núcleo de Estudos Avançados

 

O excesso de burocracia e a baixa interação entre empresas e instituições de pesquisa foram alguns dos fatores apontados como desafios pra a inovação e o empreendedorismo no Brasil na edição do Núcleo de Estudos Avançados do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizada na última sexta-feira, 19 de outubro. Com a participação do presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, e do diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Américo Pacheco, o encontro debateu o tema ‘Inovação e empreendedorismo no Brasil: sonho ou realidade’. A próxima atividade do Núcleo já tem data marcada: 8 de novembro, com uma pauta sobre meio ambiente.

 

O mau desempenho do Brasil no Índice Global de Inovação (IGI) – publicado anualmente pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, em parceria com a escola de negócios internacional Insead e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) – foi destacado na abertura do evento pelo pesquisador Renato Cordeiro, coordenador do Núcleo de Estudos Avançados. “Este ano, o Brasil subiu cinco posições no IGI, mas permanece em 64º, entre 126 países. Na América Latina, Chile, Costa Rica e México aparecem na frente. O país ainda tem muito a melhorar em inovação e empreendedorismo”, afirmou, citando como temas relevantes para o debate o papel das universidades e dos centros de pesquisa, o novo marco legal da ciência, tecnologia e inovação, os entraves da burocracia, o estímulo ao empreendedorismo e a retenção de talentos, evitando as diásporas de cientistas.

 

Transformação inevitável

 

O presidente da Firjan ressaltou que a inovação é uma necessidade para as empresas no contexto da chamada economia 4.0, marcada por tecnologias disruptivas, como inteligência artificial [o tema já foi pauta do Núcleo de Estudos Avançados, clique aqui para lembrar] e internet das coisas, que rompem com os modelos tradicionais de negócios. Segundo ele, nesse cenário, as transformações alcançam não apenas as companhias com atuação ligada à tecnologia, mas todos os tipos de indústrias. “As novas tecnologias vão transformar até mesmo as empresas tradicionais. Estamos passando por uma transição, que pode ser difícil, mas que todas as empresas terão que fazer para sobreviver. O mundo passa por uma mudança brutal. Por exemplo, 60% das crianças que começam a estudar atualmente devem trabalhar em profissões que ainda não existem”, afirmou Eduardo Eugênio.

 

Membro do Conselho Superior da Fiocruz, o empresário considerou que há dificuldades na interação entre o setor produtivo e a academia no Brasil, que precisam ser superadas para o avanço da inovação. “Existe um vácuo entre as empresas e a academia, em que um não entende o outro. Mas as empresas precisam do pensamento, da pesquisa e da tecnologia dos centros de pesquisa; enquanto os cientistas precisam do input da sociedade para a inovação. Na maioria das vezes, a demanda externa faz com que a ciência e a tecnologia avancem”, disse o presidente da Firjan, que apontou a indústria do petróleo e o agronegócio brasileiros como exemplos de sucesso na cooperação entre empresas e instituições de pesquisa.

 

A burocracia, a carga tributária e a percepção negativa da sociedade sobre os empresários foram destacadas por Eduardo Eugênio como entraves ao empreendedorismo no Brasil. “A esmagadora maioria dos postos de trabalho no Brasil vem de empresas pequenas ou médias. Esses empreendedores, muitas vezes, ganham menos do que trabalhadores assalariados e não são reconhecidos. A estrutura para empreender e criar empregos no Brasil é um inferno”, comentou. Além de melhorias na legislação para facilitar a abertura de empresas, o presidente da Firjan sugeriu que o país busque estratégias para valorizar a criatividade. “No Brasil, não se valoriza adequadamente o trabalho do indivíduo que tem o talento para realizar uma descoberta. Muitas pessoas trabalham por ideais, mas existem outras que buscam o resultado econômico. Precisamos atrair também essas pessoas para a inovação”, defendeu.

 

Baixo desempenho

 

Um sistema incompleto. Assim o diretor do conselho técnico-científico da Fapesp descreveu o sistema de inovação brasileiro, na medida em que há uma performance razoável na academia, mas baixa articulação com o setor produtivo e impacto reduzido na economia. “Só recentemente a inovação passou a ser parte da agenda empresarial no país. O primeiro documento da CNI [Confederação Nacional da Indústria] sobre inovação foi publicado em 2002. Isso é importante porque a agenda de ciência e tecnologia se torna muito mais relevante quando se aproxima da área econômica. A produção de conhecimento se dá nas universidades e instituições de pesquisa, mas a inovação é um fenômeno econômico das empresas”, declarou Pacheco.

 

Doutor em ciência econômica e ex-secretário executivo do então Ministério da Ciência e Tecnologia, Pacheco também apontou a agricultura como exemplo de sucesso para inovação no país. Ele lembrou que, com apenas 2% da população do planeta, o Brasil responde por 12% da produção científica mundial nessa área. “A Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] é muito importante para esse resultado, mas ela não atua sozinha. Cerca de dois terços dos doutores que pesquisam na área agrícola no Brasil estão nas universidades. Nesse campo, produção científica e avanço tecnológico andam juntos. Para cada real investido em pesquisa na agricultura, há R$ 11 de retorno”, comentou.

 

Pacheco ressaltou que a interação entre universidades e empresas traz benefícios mútuos, mas é preciso compreender os diferentes papéis desempenhados no processo de inovação. Segundo ele, enquanto os investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento costumam contemplar em igual medida projetos de ciência básica, ciência aplicada e desenvolvimento experimental, esta última etapa do processo de inovação – na qual os conhecimentos são efetivamente transformados em novos produtos, processos, sistemas ou serviços – concentra cerca de 75% dos gastos das empresas. Comparando o caso brasileiro ao cenário global, ele destacou que o setor público responde pela maior parte dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, enquanto a iniciativa privada lidera na maioria dos países desenvolvidos. “No geral, o gasto brasileiro é baixo em comparação com outros países, com o agravante da queda observada nos últimos anos, que vai na contramão do aumento observado no mundo”, pontuou.

 

Analisando o Índice Global de Inovação, Pacheco mostrou que o ambientei institucional – que inclui o ambiente político, a regulação e o ambiente de negócios – é o principal fator para o desempenho negativo do país. Apesar dos entraves, ele enxerga que há uma grande vitalidade econômica entre empresas de base tecnológica no Brasil, com diversos exemplos que mostram que o empreendedorismo pode dar certo no país. “O Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas da Fapesp (Pipe) vem financiando um número crescente de projetos em automação, big data, computação em rede, inteligência artificial e outras tecnologias de ponta. Em 2017, de 250 empresas apoiadas, 45 foram desses setores”, contou o diretor do conselho técnico-científico da agência.

 

Debate: inovação em saúde e financiamento

 

Questões ligadas à inovação e ao empreendedorismo em saúde e às estratégias para garantir recursos para a área de ciência e tecnologia fizeram parte do debate realizado após as palestras. O vice-presidente de Produção e Inovação da Fiocruz, Marco Krieger, salientou que as normas sanitárias e a necessidade de desenvolver ensaios clínicos tornam mais difícil o empreendedorismo no campo da saúde e acrescentou que a Fiocruz vem trabalhando para ajudar o país a desenvolver seu potencial na área. O diretor do IOC, José Paulo Gagliardi Leite, lembrou dados da pesquisa sobre percepção da população mundial a respeito da ciência que mostraram que a maior parte dos brasileiros acredita que a ciência é importante para a sociedade, mas considera que o país tem ficado para trás, principalmente devido ao financiamento inadequado. Já o coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, Paulo Gadelha, ponderou sobre o potencial de projetos para o desenvolvimento tecnológico com foco na resolução de problemas, citando como exemplo a participação da Fiocruz junto à Organização das Nações Unidas (ONU) na elaboração de roteiros para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável.

 

O diretor do conselho técnico-científico da Fapesp ressaltou que temas da área da saúde, como medicina de precisão, câncer e arboviroses, são promissores para a inovação e apontou a importância de diversificar as formas de financiamento das pesquisas. “De fato, há peculiaridades do aspecto regulatório e da necessidade de ensaios clínicos. A Fapesp, por exemplo, não financia essa etapa de pesquisa. A saída para isso é buscar alternativas para trabalhar em parceria com o setor privado e inovar em modelos de financiamento” disse Pacheco, destacando as possibilidades dos fundos de investimento conhecidos como venture capital ou capital empreendedor e das parcerias de desenvolvimento produtivo (PDP), fomentadas pelo Ministério da Saúde. O presidente da Firjan defendeu que os esforços devem ser direcionados para áreas prioritárias. “O Brasil precisa investir nas suas vocações. Não vamos produzir nacionalmente tudo que a sociedade demanda. Portanto, devemos identificar os setores em que temos condições naturais e de recursos humanos favoráveis e intensificar os investimentos nessas áreas”, afirmou Eduardo Eugênio.

 

Meio ambiente em pauta na próxima edição do evento

 

A próxima edição do Núcleo de Estudos Avançados será realizada no dia 8 de novembro. Com o tema ‘Ciência, tecnologia, inovação e meio ambiente no novo governo. The day after’, o evento vai receber o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) , Ildeu de Castro Moreira; o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich; o diretor do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman Vianna, e o editor do site Direto da Ciência, Maurício Tuffani. O encontro será realizado a partir das 14h, no auditório Emmanuel Dias, do Pavilhão Arthur Neiva, no campus da Fiocruz, em Manguinhos (Av. Brasil, 4.365 – RJ).

 

Fonte: Jornal da Ciência, 25/10/2018, com informações Fiocruz

 
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