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Siderurgia Sustentável desenvolve cadeia de produção com baixa emissão de poluentes

Qua, 24 de Outubro de 2018 14:01

O projeto incentiva processos, tecnologias e arranjos produtivos inovadores e mais eficientes para a produção de carvão vegetal advindo de florestas plantadas e para seu uso na siderurgia brasileira

 

Com o objetivo de unir esforços para reduzir a emissão de gases estufa do processo produtivo do carvão vegetal sustentável, bem como de seu uso pelo setor siderúrgico, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil implementa o Projeto Siderurgia Sustentável.

 

Sob a coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e com recursos do Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), o projeto incentiva processos, tecnologias e arranjos produtivos inovadores e mais eficientes para a produção de carvão vegetal advindo de florestas plantadas e para seu uso na siderurgia brasileira.

 

O objetivo é o desenvolvimento de uma cadeia de produção siderúrgica de baixa emissão de gases de efeito estufa.

 

O Acordo de Paris, em vigor desde 2016, prevê que os países signatários diminuam suas emissões de gases de efeito estufa, levando em consideração suas condições econômicas e sociais. Em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), o Brasil se comprometeu a reduzir, até 2025, 37,5% de suas emissões em comparação com dados de 2005.

 

No documento do Brasil, está relacionada uma série de medidas para se alcançar o resultado esperado de redução de emissão de gases de efeito estufa, dentre os quais se destaca restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e promover o uso de bioenergia sustentável.

 

Com o objetivo de unir esforços para reduzir a emissão de gases estufa do processo produtivo do carvão vegetal sustentável, bem como de seu uso pelo setor siderúrgico, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil implementa o Projeto Siderurgia Sustentável.

 

Sob a coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e com recursos do Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), o projeto incentiva processos, tecnologias e arranjos produtivos inovadores e mais eficientes para a produção de carvão vegetal advindo de florestas plantadas e para seu uso na siderurgia brasileira. O objetivo é o desenvolvimento de uma cadeia de produção siderúrgica de baixa emissão de gases de efeito estufa.

 

A execução conta, ainda, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Governo de Minas Gerais. “O projeto tem como intuito principal enfrentar a mudança do clima por meio do incentivo à sustentabilidade tanto na produção do carvão vegetal como também no uso desse insumo pela indústria siderúrgica”, explica a então gerente de projetos do PNUD Brasil, Patrícia Benthien.

 

Na siderurgia, o carvão vegetal é utilizado como termorredutor, ou seja, não apenas para gerar energia térmica, mas também como fonte de carbono, um dos principais ingredientes na produção do ferro-gusa, aço e ferroligas. Esses produtos são de notória importância para a economia do Brasil, pois estão presentes em todos os aspectos da nossa vida, sendo parte da estrutura das residências e também dos meios de transporte, além de estarem presente nas máquinas, motores, ferramentas e equipamentos que produzem energia, alimentos e até mesmo roupa.

 

O Brasil detém o conhecimento e a capacidade para produzir, de maneira sustentável, o carvão vegetal oriundo de florestas plantadas, manejadas de forma adequada. Dessa forma, o carvão vegetal contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa, que provocam a mudança do clima, além de gerar empregos na área rural e contribuir para a redução da pressão sobre as matas nativas.

 

O representante da Secretaria de Política Agrícola do MAPA, Gustavo Henrique Marquim, ressalta que a produção de carvão vegetal é um seguimento de extrema importância na cadeia produtiva da madeira. Assim, o “projeto traz subsídios importantes para apoiar na elaboração de um Plano Nacional de Florestas Plantadas”, destaca Marquim.

 

Um dos objetivos do Projeto Siderurgia Sustentável é a criação de um arcabouço institucional e normativo favorável à produção mais limpa e eficiente de carvão vegetal. De acordo com o diretor do Departamento de Mudança do Clima e Florestas do MMA, Adriano Santhiago, a expectativa é que os resultados sejam “estruturantes para o país em termos de redução da emissão de gases de efeito estufa e em termos de enfrentamento da mudança do clima”. Ele conta que a iniciativa já apresenta “subsídios importantes para formular uma estratégia de desenvolvimento para a cadeia sustentável da produção de carvão vegetal”.

 

O carvão vegetal e a siderurgia

 

O Brasil é único país do mundo que ainda mantém significativa produção de ferro-gusa, aço e ferroligas com uso de carvão vegetal. Entre 2005 e 2016, cerca de 25% desse insumo foi produzido com o uso de carvão vegetal no país, enquanto que, no resto do mundo, a siderurgia utilizou o carvão mineral, insumo de origem fóssil e não renovável, fonte de emissão de gases de efeito estufa.

 

O diretor da PlantarCarbon, Fábio Nogueira, reconhece a importância do Projeto Siderurgia Sustentável para a economia do país. “A iniciativa conseguiu gerar um vetor de diferenciação. Por meio desse sistema, a gente consegue estimular a produção de um produto muito relevante para o PIB brasileiro e que tem um papel importante na mitigação da mudança do clima”.

 

O Grupo Plantar, do qual a PlantarCarbon faz parte, é pioneiro nos debates sobre siderurgia sustentável e está engajado, há cerca de 20 anos, em iniciativas relacionadas à redução de emissão de gases de efeito estufa. A empresa é também umas das beneficiárias do Projeto Siderurgia Sustentável pelo edital de “Mecanismo de Apoio ao Desenvolvimento, Melhoria e Demonstração de Tecnologias Sustentáveis de Produção e Uso de Carvão Vegetal na Indústria Siderúrgica”.

 

Minas Gerais foi escolhido para receber o projeto não só porque o estado abriga a maior produção siderúrgica a carvão vegetal do país, mas também pelo pioneirismo no incentivo à sustentabilidade no setor. “A siderurgia e, principalmente, a siderurgia de ferro-gusa, é considerada em Minas Gerais um setor dinamizador da economia nacional”, destaca Wagner Soares Costa, gerente de Meio Ambiente do Sistema da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). “O estado já possui tradição da siderurgia a carvão vegetal”, completa.

 

Estimular a produção de carvão vegetal e o desenvolvimento do setor siderúrgico está relacionado com o aumento da competitividade da indústria mineira e, consequentemente, com a melhoria da economia do estado nacional, explica o gerente de Meio Ambiente do Sistema FIEMG, instituição com a qual o PNUD firmou Memorando de Entendimento para promover a siderurgia sustentável e sensibilizar a indústria sobre produção sustentável de ferro-gusa, aço e ferroligas.

 

“Minas Gerais é a maior base florestal do Brasil, e um dos produtos dessa base é o carvão vegetal de florestas plantadas. O Estado é o maior produtor mundial de carvão vegetal”, afirma a presidente da Associação Mineira de Sivicultura (AMS), Adriana Maugeri. Minas Gerais abriga também a maior produção siderúrgica a carvão vegetal.

 

O assessor de relações internacionais do Governo de Minas Gerais, Pedro Braga, destaca, igualmente, a importância do Estado no contexto do carvão vegetal: “Minas Gerais tem um histórico muito importante nessa produção do carvão vegetal e, por isso, faz muito sentido nos juntarmos a atores de grande importância nesse projeto”.

 

O Projeto Siderurgia Sustentável incetiva que as empresas desenvolvam tecnologias que contribuam para a redução de emissão de gases de efeito estufa. “A nossa motivação é o fato de existir um programa que valoriza a redução de emissão de gases de efeito estufa e, com isso, gere um incentivo para investir e para operar tecnologias mais limpas e mais sustentáveis”, destaca o diretor da PlantarCarbon. Ele celebra que o projeto possibilitou à empresa investir em “um novo ciclo de inovação, com novos fornos de carbonização e novos processos mais eficientes no ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa”.

 

O pequeno produtor

 

“O contexto onde se insere os pequenos produtores é sensível e, por isso, esse público é prioridade para os investimentos do Projeto Siderurgia Sustentável”, analisa a ex-gerente de projetos do PNUD Brasil, Patrícia Benthien.

 

De acordo com o doutor em Ciência Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Danilo Donato, “atualmente, a maior parte da produção de carvão vegetal no Brasil é feita por pequenos e médios produtores. E essa produção é feita sem nenhum mecanismo de queima dos gases e com baixa eficiência na conversão da madeira em carvão vegetal”.

 

No âmbito do projeto, o PNUD une esforços com os governos federal e estadual, e também com o SEBRAE MG, com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), com o Sistema FAEMG, do qual faz parte o SENAR MG, bem como com outros parceiros da sociedade civil, universidades, iniciativas públicas e privadas, para encontrar as melhores práticas e tecnologias para a produção do carvão vegetal do pequeno e médio produtor.

 

“Apesar de existirem várias tecnologias de melhoria na eficiência do processo da produção do carvão vegetal, a maior parte dessas tecnologias não é voltada para a realidade do pequeno produtor”, explica o representante da UFV. Nesse contexto, a universidade desenvolveu um modelo para a produção do carvão vegetal: o sistema fornos-fornalha, uma fornalha e uma chaminé acopladas a quatro fornos, que, além de aumentarem o rendimento da conversão da madeira em carvão vegetal, queimam os gases gerados durante o processo.

 

O projeto construiu uma unidade demonstrativa de produção de carvão vegetal utilizando a tecnologia desenvolvida pela UFV na cidade de Lamim (MG). O assessor técnico da Coordenação-Geral de Energia e Desenvolvimento Sustentável do MDIC, João Pignataro Pereira, destaca sua importância. “A unidade demonstrativa é uma etapa fundamental para que as teorias sejam comprovadas e para que se realize um exercício em campo para sabermos como os fornos se comportam”.

 

“O Projeto Siderurgia Sustentável apoia o desenvolvimento da produção do carvão vegetal no Brasil, para que o pequeno produtor possa produzir o carvão de forma mais eficiente e, acima de tudo, sem gerar poluentes para atmosfera, o que é possível por meio da queima dos gases gerados durante o processo”, destaca o doutor da UFV.

 

O produtor de carvão vegetal selecionado pelo projeto Siderurgia Sustentável para hospedar a Unidade Demonstrativa de produção de carvão vegetal sustentável, Amador Reis de Mato, conta sua experiência. “Esse sistema é mais prático. O forno esfria mais rápido e fica mais fácil de trabalhar. E o forno consegue queimar a fumaça [gases poluentes], que é muito importante. Nos outros sistemas, a fumaça que sai queima o pasto e seca tudo”.

 

“Quem trabalha na roça, sabe que não é fácil. E esse sistema é melhor, mais fácil de trabalhar”, afirma o produtor de carvão vegetal, sobre a tecnologia desenvolvida pela UFV e implementada pelo Projeto Siderurgia Sustentável.

 

“Acreditamos que o projeto traz melhores condições de trabalho, uma possibilidade de uma produção mais sustentável e também geração de renda para os pequenos produtores”, completa a ex-gerente de projetos do PNUD.

 

A experiência e o sucesso não se restringem ao produtor local. O projeto busca fortalecer tanto a base tecnológica, com apoio à pesquisa e à inovação, como a capacitação dos produtores para a produção sustentável de carvão vegetal.

 

“Um dos principais objetivos, além do desenvolvimento de novas tecnologias para a carbonização, é a difusão das tecnologias mais eficientes já existentes, com a adoção delas pelos pequenos, médios e grandes produtores”, explica o responsável pela área de bioenergia, biocombustível, transporte e saneamento do MCTIC, Gustavo Ramos.

 

A Unidade Demonstrativa da Zona da Mata mineira receberá desde os pequenos produtores até servidores públicos, além de multiplicadores da Emater-MG e do SENAR MG, para treinamentos e capacitações. “A capacitação profissional e a difusão tenológica vem ao encontro da necessidade do produtor. O projeto proporciona ao produtor rural uma oportunidade de otimizar a produção e agregar valor ao produto”, pontua o analista de formação profissional rural do SENAR MG, Harrison Belico.

 

Outro parceiro do Siderurgia Sustentável é o SEBRAE MG, que tem apoiado o desenvolvimento do estudo da viabilidade do negócio. “Entendemos que o projeto traz para os pequenos produtores uma tecnologia nova e uma tecnologia que dá a ele mais rendimento, uma qualidade melhor de carvão e também melhora a renda”, afirma a analista da instituição, Fabiana Vilela.

 

“A expectativa é realmente gerar um impacto positivo nos resultados desses produtores, tanto em termos de eficiência do rendimento dessa produção quanto na questão da redução dos gases de efeito de estufa gerados durante o processo produtivo”, ressalta Gustavo Ramos, do MCTIC.

 

O projeto e a Agenda 2030

 

Como parte da Agenda 2030, as atividades do Projeto Siderurgia Sustentável se alinham aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os resultados contribuirão de maneira mais efetiva para o ODS 7 – Energia Limpa e Acessível; ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura; ODS 12 – Consumo e Produção Sustentáveis; e ODS 13 – Ação contra a Mudança do Clima.

 

Os parceiros do projeto Siderurgia Sustentável

 

“Além de contribuir para o alcance de diversos ODS, ligados a temas como mudança do clima, trabalho decente e energia renovável, é um projeto que conseguimos articular diversos atores que estão hoje muito engajados na implementação”, explica a então gerente de projetos do PNUD Brasil, Patrícia Benthien.

 

O Projeto Siderurgia Sustentável é implementado pelo PNUD, sob coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Governo do Estado de Minas Gerais. E tem a parceria e contribuições da Associação Mineira de Silvicultura, da Universidade Federal de Viçosa, do SEBRAE e do SENAR Minas, entre outros parceiros dos setores público, privado e sociedade civil.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 23/10/2018, com informações ONU

 
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