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O desafio de ensinar para um mercado de trabalho desconhecido

Qua, 24 de Outubro de 2018 11:56

Para o cientista político Simon Schwartzman, palestrante do 7º Diálogo Brasil Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, avaliação do ensino médio no Brasil não inclui a capacitação do estudante para o mercado de trabalho.

 

Recentemente, a divulgação dos dados da última edição do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) revelou que a nota dos estudantes do ensino médio em Português e Matemática em 2017 foi mais baixa do que a registrada em 1997. Embora seja um resultado chocante, há motivos para pensar que este talvez não seja o único nem o maior problema do ensino médio no Brasil atualmente. De acordo com o cientista político Simon Schwartzman, a falta de clareza sobre o futuro do mercado de trabalho e a ausência de uma avaliação do ensino médio que inclua a questão da capacitação do jovem para este mercado colocam em xeque a capacidade do sistema de formar novas gerações bem preparadas.


“Estamos reformando o ensino médio e existe uma discussão de que ele deveria capacitar melhor as pessoas para o trabalho. No entanto, temos pouca clareza sobre o que vai acontecer com o mercado de trabalho. Além do mais, as avaliações do sistema existentes hoje são o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e o Saeb. Elas avaliam o que o sujeito aprendeu, mas não a questão de sua capacitação para o mercado. A discussão do ensino não está incluindo ainda o lado do trabalho e este é o problema principal”, afirma.


Schwartzman, que nos últimos tem se dedicado à pesquisa de aspectos sociais e políticos da produção do conhecimento na ciência, tecnologia e educação; e pelas questões de pobreza e política social, será um dos palestrantes do 7º Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, evento que acontece nos dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo. Organizado pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo (DWIH São Paulo), em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Diálogo reunirá diversos especialistas, do Brasil e da Alemanha, para abordar diferentes perspectivas e tendências sobre o trabalho e a formação profissional no contexto das transformações geradas pela digitalização.


Mudança no trabalho – De acordo com cientista político, o panorama geral do mercado de trabalho aponta para a concentração em algumas profissões muito especializadas, focadas no conhecimento sobre tecnologias da informação e administração desses sistemas. “Esse setor vai empregar gente, mas não muita. E é gente muito capacitada, com muita formação. Do outro lado, também há uma tendência de desaparecimento do trabalho de rotina – como o realizado por motoristas, bancários, operários etc. E uma especulação sobre a possibilidade de o processo de digitalização levar a uma redução da demanda por profissionais de nível técnico”, resume.


Ele também enxerga uma tendência de crescimento nas profissões ligadas aos chamados “serviços pessoais”, que incluem profissionais com níveis distintos de formação. “Nessas categorias há, por exemplo, médicos e cabelereiros. Tudo que diz respeito a serviços pessoais deve crescer no futuro. A área de saúde deverá ser uma das que mais crescerão.”


Ensino médio x técnico – Schwartzman ressalta que a grande maioria dos jovens brasileiros que sai do ensino médio está muito mal preparada. “O sistema educacional é muito ruim, está se tentando melhorar, mas não se olha para a formação desse estudante como profissional. Além disso, o ensino técnico de nível médio é uma atividade adicional e complementar ao ensino médio, e não uma alternativa.”


Segundo ele, a reforma do ensino médio é importante, mas ainda não se sabe qual o resultado, porque não está claro o que vai ser o curriculum do aluno. “A reforma tem caminhado no sentido de dar mais opções para os alunos, acabar com o ensino burocrático de um número enorme de matérias para todo mundo, valorizar o ensino profissionalizante. Se essas reformas respondem às necessidades do futuro mercado de trabalho, não sabemos. Vamos ter alunos saindo desse sistema daqui a cinco anos.”


Atualmente, o nível de desistência durante os três anos de ensino médio ainda é alto. “Daqueles que concluem, a maioria vai para o mercado de trabalho sem capacitação profissional e em atividades de baixa qualificação. Cerca de um terço dos que terminam o ensino médio entram em algum curso superior, mas metade dos que se formam terminam em atividades de nível médio ou inferior.”


“Há um enorme investimento no ensino médio que prepara a universidade, joga-se todo mundo no ENEM, e o que acontece é isso. É preciso criar uma alternativa mais atraente e mais realista para essas pessoas.”


Menos emprego – Ainda que o Brasil tivesse um ensino médio que ejetasse para o mercado profissionais mais capacitados, há ainda a questão conjuntural: o panorama geral no mundo é de altos níveis de desemprego, inclusive nos países mais desenvolvidos.


“Os níveis de desemprego são altos principalmente entre os jovens, e os salários estão muito baixos. Não sabemos se os níveis de emprego vão se recuperar, ou se estamos diante do que se chama de desemprego estrutural. É preciso pensar na possibilidade de estarmos construindo uma sociedade em que não vai haver trabalho para todo mundo. E então teremos de lançar mão de soluções como, por exemplo, menos horas de trabalho – para que as vagas acomodem mais gente – ou um incremento na concessão de bolsas, por exemplo.”



Serviço: O 7º Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação será realizado no auditório da FAPESP localizado em sua sede, em São Paulo (R. Pio XI, 1500 - Alto da Lapa) no dia 30 de outubro das 15h às 17h e no dia 31 de outubro das 9h às 17h. Veja neste link (https://bit.ly/2x8iq92) a programação preliminar. Inscrições em breve.


Sobre o palestrante: Com formação em sociologia, Simon Schwartzman tem Ph.D em ciência política pela Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA). Foi professor em diversas instituições brasileiras (Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, por exemplo) e no exterior (Columbia University, Stanford University, École Pratique des Autes Études in Paris, St. Anthony’s College, Oxford, Harvard University, entre outras). Foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e diretor para o Brasil do American Institutes for Research. Já atuou na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Membro da Academia Brasileira de Ciências, em 1996 recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico do governo brasileiro.

 

Fonte: DWIH São Paulo

 
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