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Inteligência Artificial: O que é e de onde vem

Qua, 03 de Outubro de 2018 11:05

André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, vice-diretor do ICMC/USP, escreve para o blog Ciência & Matemática, do jornal O Globo

 

O termo Inteligência Artificial desperta várias reações, principalmente curiosidade, medo e esperança. A curiosidade sobre o que significa, o que o termo abrange e onde o desenvolvimento dessa área nos levará. Já o medo está ligado à ideia de que a Inteligência Artificial possa ser utilizada por quem deseja ganhar poder e ao receio de que nos tornemos escravos de uma geração de máquinas com inteligência superior à nossa ou passiveis de extinção por seres com bem menos limitações físicas que nós. Há ainda a esperança de que ela possa melhorar a qualidade de vida no nosso planeta.

 

Eu vou iniciar este primeiro texto para definir o que entendo por inteligência artificial (essa não é a única definição, várias outras podem ser facilmente encontradas na literatura da área). Inteligência Artificial é uma área interdisciplinar que busca replicar comportamentos inteligentes dos seres vivos, principalmente dos seres humanos, em máquinas. Interdisciplinar porque combina conhecimentos de diferentes áreas do conhecimento, como, por exemplo, Biologia, Computação, Economia, Estatística, Engenharia, Física, Linguística, Matemática Neurociência e Psicologia.

 

Uma dúvida que muitos podem ter é como surgiu a área de Inteligência Artificial. Para responder, vou apresentar como e quando apareceu o termo, assim aproveito para falar um pouco do histórico da Inteligência Artificial, que recebeu, ao longo dos anos, o apelido de IA.

 

O termo Inteligência Artificial foi criado há mais de 60 anos pelo cientista da computação norte-americano John McCarthy, em 1956, para um workshop de verão, o Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence. Esse workshop foi proposto no ano anterior por grandes pesquisadores que trabalhavam no tema tais como John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon.

 

A proposta do workshop começava com o seguinte texto: “Nós propomos que seja realizado um estudo de inteligência artificial por 2 meses, com 10 pessoas, no verão de 1956, no Dartmouth College, em Hanover, New Hampshire. O estudo ocorrerá baseado na conjectura de que todo aspecto de aprendizado ou qualquer característica de inteligência pode, a princípio, ser tão precisamente descrito que uma máquina pode ser construída para simulá-lo.” Assim, o workshop reuniu pesquisadores que tinham interesse pelo tema e que se encontraram para compartilhar o que entendiam e o que queriam entender.

 

Apesar de o termo Inteligência Artificial aparecer oficialmente apenas em 1956, o tema, sem esse nome, já era investigado. Em 1945, o engenheiro americano Vannevar Bush escreveu um artigo indiretamente relacionado a Inteligência Artificial, com o título As We May Think. Nesse artigo, publicado em duas versões, antes e após o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki, Bush perguntava à comunidade científica o que esperar do futuro da computação. Em particular, Bush mostra preocupação com o rumo da ciência em direção à destruição ao invés do conhecimento. Bush propõe uma máquina de memória coletiva, chamada MEMEX, que poderia tornar o conhecimento mais acessível, que poderia transformar informação em conhecimento. Curiosamente, Bush teve antes uma participação importante na decisão do governo americano de criar a bomba atômica.

 

Mas a primeira pessoa que falou, publicamente, sobre a possibilidade de criar um computador inteligente foi o matemático britânico Alan Turing, em 1947, em uma palestra na Sociedade de Matemática de Londres. Turing disse: “O que nós queremos é uma máquina que aprenda a partir de sua experiência.” Ressaltou ainda que “a possiblidade de deixar a máquina alterar seus próprios comandos fornece um mecanismo para isso.”

 

Alan Turing é considerado por muitos o pai da computação, assim como da Inteligência Artificial. Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou no principal centro de decodificação do Reino Unido, o Bletchley Park. Nesse centro, alguns dos principais matemáticos britânicos procuravam descobrir como decifrar as mensagens trocadas pelas forças alemãs.

 

Em 1948, o matemático e filósofo americano Norbert Wiener definiu um termo frequentemente associado a IA: cibernética. A palavra designa o estudo científico sobre o controle e a comunicação entre animais e máquinas. Ou, de uma forma mais direta, como humanos, animais e máquinas controlam uns aos outros e se comunicam.

 

Wiener também contribuiu para o desenvolvimento das áreas de robótica, controle e automação. Em uma carta dirigida ao matemático e físico húngaro John Von Neumann, outro importante cientista da computação, Wiener discutiu como simular neurônios em uma máquina baseada no cérebro. Em 1940, os caminhos de Bush e Winer já haviam se cruzado. Nesse ano, Wiener, propôs a Bush a construção de um computador digital.

 

Após o workshop de 1956, quando o termo foi proposto, a Inteligência Artificial foi se aproximando cada vez mais da inteligência humana. Um número cada vez maior de pesquisadores da área acredita que logo a Inteligência Artificial irá superar a inteligência humana. Isso mudará radicalmente a forma como lidamos com as máquinas. Mas isso é assunto para os próximos textos.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 02/10/2018, com informações O Globo

 
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