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Um país só será livre se tiver um amplo sistema de educação, ciência e tecnologia

Qua, 03 de Outubro de 2018 11:01

Artigo de Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da Ufba e conselheiro da SBPC

 

O censo recentemente divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) demonstrou o crescimento do ensino superior no país e, mais do que tudo, que essa expansão ocorreu, essencialmente, pelo aumento, entre 2006 a 2016, das universidades públicas: passamos de 92 para 108. Acrescente-se a isso o crescimento dos institutos federais de educação superior, que eram 33 em 2006 e passaram para 40 em 2016, todos com campi espalhados pelo interior dos seus estados.

 

Um olhar amiúde para outros dados nos permite ver o crescimento das universidades federais: em 2002, eram 45, com seus 148 campi, e hoje são 63, com 321 campi. Na Bahia, como tenho insistido, temos hoje 12 instituições de ensino superior públicas, e não custa nominá-las: Ufba, UFRB, Univasf, Ufob, Ufsb e Unila (Campus dos Malês/São Francisco do Conde), as federais; Uneb, Uesb, Uesc e Uefs, estaduais, e mais o Ifba e o IFBaiano, com um sem número de campi tomando praticamente todo o território baiano.

 

Fica claro, com esses dados, que a democratização do ensino superior está acontecendo por conta de corretas políticas públicas que propiciaram a expansão do sistema público de ensino superior. Essas instituições têm formado profissionais em todas as áreas e realizado pesquisas de ponta, juntamente com os centros de pesquisas instalados aqui na Bahia, a exemplo da Fiocruz.

 

No entanto, estamos vendo, cotidianamente, na grande mídia e nas palavras dos candidatos um verdadeiro ataque às universidades públicas, intensificado após o triste acontecimento do incêndio do Museu Nacional, administrado pela UFRJ.

 

Antes disso, um relatório do Banco Mundial foi amplamente divulgado (Um Ajuste Justo – Análise da Eficiência e Equidade do Gasto Público no Brasil) e buscou desqualificar o nosso sistema público de educação superior, o que foi analisado em detalhes e duramente criticado pelos colegas professores da Ufba Luiz Filgueiras, Uallace Moreira e Graça Druck.

 

A tônica dos ataques é sempre a ineficiência das instituições e a necessidade de cobrança de mensalidades dos alunos.

 

Esse não é um movimento novo. Desde que na Ufba entrei como professor, em 1978, temos lutado em defesa na educação pública em todos os níveis, e a nossa SBPC vem, desde a sua criação, em 1946, manifestando-se de forma contundente em defesa de mais investimentos em educação, ciência e tecnologia em nosso país.

 

Recentemente, produzimos uma Carta de Compromissos em Defesa da Ciência, Tecnologia e Inovação, convidando os candidatos que tenham maior sensibilidade e visão sobre o significado estratégico para o país do desenvolvimento educacional e científico a assinarem a referida carta. O mesmo foi feito com os candidatos à Presidência da República, independente de partidos.

 

Tudo porque, para nós, um país só será livre e com justiça social se, de fato, tiver um consolidado e amplo sistema de educação, ciência e tecnologia.

 

Sobre o autor:

 

Nelson Pretto é professor da Faculdade de Educação da Ufba e conselheiro da SBPC

 

Fonte: Jornal da Ciência, 02/10/2018, com informações Correio*

 
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