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Crise no Brasil

Ter, 02 de Outubro de 2018 09:26

Beatriz Barbuy, professora titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e vice-presidente da União Astronômica Internacional (IAU), publica editorial na revista Science desta semana

 

No início deste mês, o Museu Nacional do Brasil – o mais antigo, maior e possivelmente o mais importante museu histórico e científico da América Latina – foi consumido por fogo, alimentado por uma infraestrutura negligenciada e degradada. Foi um lembrete trágico para o Brasil e para o resto do mundo de como é importante para as sociedades apoiar as instituições e empreendimentos que preservam e promovem a ciência e a cultura. Este evento devastador deve servir como um alerta para que o Brasil fortaleça, em vez de negligenciar, seu empreendimento científico. As eleições gerais do próximo mês são uma oportunidade para o Brasil priorizar a ciência.

 

A crise financeira no Brasil tem sido a justificativa para uma queda constante no fianciamento à ciência. Por exemplo, neste ano, a comunidade astronômica brasileira viu o Brasil se desgarrar dos principais recursos e projetos internacionais de telescópios. Especificamente, a oportunidade do Brasil de ingressar no European Southern Observatory (ESO) foi suspensa em março pelo consórcio multinacional, impedindo, assim, o acesso do País ao maior e mais completo observatório do mundo, localizado na América do Sul. Em 2010, o Conselho do ESO aprovou um plano em que o Brasil se comprometeu a pagar 270 milhões de euros em 10 anos pelo status de membro pleno. Embora o plano tenha sido aprovado pelo Congresso Brasileiro em 2015, o governo não ratificou o acordo nesse ínterim. Não surpreende que os astrônomos brasileiros tenham ficado frustrados com a falta de comprometimento do Brasil com a ciência e a tecnologia, especialmente porque uma robusta comunidade de astrônomos brasileiros foi fortificada nos últimos 50 anos por meio de programas de treinamento no País e no exterior. Agora, esta comunidade está vendo seu trabalho e o investimento do Brasil, estrangulado.

 

Neste momento, o Brasil ainda está envolvido no desenvolvimento de instrumentos de ponta para telescópios no Chile, incluindo o Telescópio Extremamente Grande (Extremely Large Telescope), um observatório que avançará muito no conhecimento astrofísico do universo. Mas o País precisa fazer parte do ESO, a proeminente organização intergovernamental de ciência e tecnologia que desempenha um papel de liderança na cooperação em pesquisa astronômica. Sem acesso aos melhores instrumentos, as novas gerações de astrônomos no Brasil não vão prosperar.

 

As eleições brasileiras no próximo mês, inclusive para a presidência, são uma chance de restabelecer o compromisso com a ciência e resgatar o País de um declínio econômico mais profundo. O orçamento atual do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) é apenas 40% do que era em 2010 (corrigido pela inflação), mesmo depois de se fundir com o Ministério das Comunicações, em 2016. Ao mesmo tempo, a moeda desvalorizou pela metade. Neste ano, uma carta protestando contra cortes orçamentários na ciência foi assinada por 56 sociedades científicas brasileiras e enviada pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para o presidente do Brasil, Michel Temer. O problema é que a pesquisa e sua infraestrutura de apoio dependem em grande parte do apoio do governo. Os recursos para projetos de pesquisa provêm necessariamente do MCTIC e de órgãos estaduais, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Há também uma percepção errônea no Brasil de que a ciência e a tecnologia têm pouco impacto na economia. Em comparação, a Liga das Universidades Europeias de Pesquisa estima que, em 2016, a produção de universidades intensivas em pesquisa impulsionou a economia europeia, gerando aproximadamente € 100 bilhões em valor bruto, além de 1,3 milhão de empregos.

 

As sociedades mais fortes alcançam suas forças competitivas apoiando o empreendimento científico. Mesmo que os mecanismos de transferência de conhecimento ainda estejam amadurecendo, seu exercício é necessário agora para que a prosperidade econômica possa ser alcançada mais tarde, e que o país não seja condenado a ficar atrás das outras nações.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 28/09/2018, com informações Science (Tradução: Jornal da Ciência)

 
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