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Conferência sobre gás ressalta projetos de uso e aproveitamento do CO2

Ter, 25 de Setembro de 2018 17:44

“Vender” CO2 abatido da atmosfera em forma de outros combustíveis ou de insumos químicos para a indústria pode mudar nossa visão sobre o carbono e ajudar a reduzir emissões.



Uma das tendências das tecnologias de abatimento de carbono atuais é converter o CO2 em produtos que possam ser utilizados novamente, o que é chamado de Carbon Capture and Utilization (CCU). Diversos projetos do Fapesp Shell Reserach Centre for Gas Innovation (RCGI) com esse objetivo serão apresentados durante a III Sustainable Gas Research Innovation, que acontece nos dias 25 e 26 de setembro, em São Paulo. Eles visam, por exemplo, obter produtos de valor agregado a partir da hidrogenação do CO2; ou retirar o CO2 da atmosfera com uma célula de fotocatálise e transformá-lo em um produto útil para a indústria; ou ainda integrar centrais termoelétricas com tecnologias de conversão de CO2 para mitigação de emissões de gases de efeito estufa (GEEs). Pesquisadores do RCGI já listaram mais de 140 produtos que podem ser obtidos com base em CO2.

 

“Em minha opinião, se conseguirmos produtos originados do CO2 com um balanço econômico e energético positivo, as políticas ambientais com relação ao CO2 poderão mudar. Com a existência de tecnologia prática para abater carbono, quem detiver essas tecnologias vai forçar os que não têm a pagar cotas de emissão de CO2. Imagino que o horizonte dessas mudanças seja de uns 20 anos, a partir de agora”, afirma o químico Pedro Vidinha, um dos pesquisadores do time do RCGI.
Segundo ele, há dois caminhos para o aproveitamento do CO2: gerar combustíveis ou gerar químicos. No caso dos combustíveis, fecha-se o ciclo do carbono (pois eles serão queimados novamente, e o CO2 será recapturado, e assim por diante). No caso dos químicos, é preciso chegar a substâncias para as quais exista demanda na indústria como, por exemplo, a ureia.

 

Junto a oito pesquisadores, Vidinha está tentando reduzir o CO2 e obter alcoóis como o metanol, o etanol e até o butanol, com o uso de hidrogênio como reagente e de catalisadores bastante eficazes, compostos de metal e ligantes orgânicos. “Já conseguimos produzir butanol, o que é fantástico, pois passamos de uma substância com um átomo de carbono (CO2) para uma com quatro átomos de carbono (C4H10O). É possível, por exemplo, obter buteno a partir dele, um processo industrial já estabelecido. Conseguindo chegar ao butanol a partir do CO2 pode-se pensar numa indústria de polímeros à base de CO2”, completa.

 

Diferencial – O químico explica que a maioria dos processos que visa o aproveitamento do CO2 implica em utilização de altas temperaturas, mas ele e sua equipe conseguem produzir metanol, etanol e butanol praticamente à temperatura ambiente. “No estado da arte atual, o processo em mais baixa temperatura que vi exigia entre 150o C e 180o C. Nos nossos processos, definimos que trabalharíamos com uma temperatura de 40o C e desenvolvemos catalisadores para isso.”

 

Entretanto, os metais usados pela equipe para fazer os catalisadores são caros, quando não, raros. “Usamos o irídio e o ródio. Com o irídio, conseguimos obter o butanol e, com o ródio, o metanol e o etanol.”

 

De acordo com Vidinha, há algumas dezenas de compostos que podem ser obtidos somente a partir do CO2. “Mas, se pensarmos em partir de outra molécula e incorporar o CO2, pode haver centenas de reações diferentes. Podemos ter iniciativas de carbon storage, quando o CO2 é introduzido em outra molécula, mas também de carbon utilization, quando essa molécula é utilizada para alguma coisa.”

 

Ele cita o isopropanol, o butanol, o, o ácido fórmico, o ácido acético, entre outros, como produtos que têm valor de mercado e podem ser obtidos a partir do CO2. “Os produtos mais valiosos seriam o butanol, ou outros álcoois de cadeia longa... Quanto maior o número de átomos de carbono, melhor.”

 

Serviço: A III Sustainable Gas Research Innovation (SGRI) acontece nos dias 25 e 26 de setembro, no Auditório do CDI/USP (Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo). O evento é organizado pelo Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) e pelo Sustainable Gas Institute (SGI).

 

Fonte: Acadêmica Agência de Comunicação

 
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