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Urge retoma os investimentos em Ciência e Tecnologia

Seg, 20 de Agosto de 2018 10:04

“Tudo seria evitado se houvesse a plena liberação dos recursos arrecadados pela atividade em várias áreas do setor privado que constituem o FNDCT, cuja única missão legal é apoiar a pesquisa científico-tecnológica do País”, afirma Wanderley de Souza, diretor da Finep e professor titular da UFRJ

 

Ao longo dos últimos quatro anos, as instituições brasileiras que desenvolvem atividades de pesquisa têm encontrado dificuldades para continuarem competitivas internacionalmente. Tal fato se deve à redução drástica dos recursos destinados às agências de fomento do Governo Federal (Finep, CAPES e CNPQ) e dos governos estaduais. No caso específico do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), os recursos disponibilizados para apoio às instituições científicas (ICTs) caíram de R$ 4 bilhões em 2013 para R$ 920 milhões em 2017.

 

No Brasil, os principais grupos de pesquisa estão localizados majoritariamente nas universidades públicas, que também sofreram cortes significativos em seus orçamentos, agravando ainda mais o problema. Nos últimos anos, visitei dezenas de instituições e pude constatar a gravidade da situação. Pesquisadores desanimados expuseram suas principais dificuldades, dentre as quais destaco: falta de manutenção adequada dos equipamentos mais sofisticados; outros, danificados e sem recursos financeiros para conserto; equipamentos novos e encaixotados que não foram instalados por falta de recursos para a devida adaptação do espaço físico e instalação elétrica adequada; falta de verba para obtenção dos reagentes necessários à realização de experimentos; diminuição grave do número de técnicos, pós-graduandos e pós-doutores que constituem a principal força de trabalho especializada para nossa pesquisa.

 

Tudo seria evitado se houvesse a plena liberação dos recursos arrecadados pela atividade em várias áreas do setor privado que constituem o FNDCT, cuja única missão legal é apoiar a pesquisa científico-tecnológica do País. Para o presente exercício fiscal, estima-se que o FNDCT arrecadará da ordem de R$ 4,6 bilhões. No entanto, a maior parte do dinheiro (R$ 2,6 bilhões) encontra-se em rubrica chamada “Reserva de Contingência”, só disponibilizada em função de argumentos sólidos que justifiquem sua utilização para apoio a projetos específicos e relevantes. Isto ocorreu em 2016, quando R$ 50 milhões foram mobilizados para o apoio a pesquisas sobre o vírus da Zika, com avanços significativos do conhecimento sobre tal infecção virótica.

 

A situação atual é muito grave para o futuro e urge mobilizar parte dos recursos da Reserva de Contingência para colocarmos em pleno funcionamento toda a infraestrutura científica instalada no país, com a manutenção adequada dos equipamentos existentes e reparo dos já danificados. É importante, ainda, continuar as pesquisas sobre Arboviroses, com ênfase em Febre Amarela e na vacina para Dengue, a finalização da construção do Sirius, um acelerador de elétrons de quarta geração que permite a obtenção de informações detalhadas de materiais biológicos e não biológicos (o maior projeto da Ciência brasileira), o estímulo à criação de parques tecnológicos, incentivar pesquisas na área de energias renováveis, iniciar rapidamente programa voltado à segurança pública e ciências forenses, dentre outros. Só a mobilização do Executivo e do Congresso pode criar rapidamente as condições de resgate do protagonismo do desenvolvimento científico-tecnológico brasileiro.

 

Sobre o autor:

 

Wanderley de Souza é diretor da Finep, professor titular da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Ciências

*O artigo expressa exclusivamente a opinião do autor.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 13/08/2018

 
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