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Universidade tem que formar pensamento crítico, diz Pérez Esquivel

Seg, 20 de Agosto de 2018 08:54

Esquivel ministrou aula pública na Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) nesta terça-feira (14/8)

 

“A universidade tem a responsabilidade de gerar consciência crítica de valores para a liberdade”, disse o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel durante aula pública ministrada na Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) nesta terça-feira (14/8). Cerca de 500 pessoas, entre estudantes, docentes e servidores, escutaram o ativista argentino, aplaudido de pé. O evento, transmitido ao vivo pelo Facebook, foi o primeiro promovido pela nova diretoria da ADUnB.

 

“Em mais de 50 anos de docência, sempre é um desafio saber para que educamos”, disse Esquivel, que é professor na Universidade de Buenos Aires. “Nós compartilhamos o conhecimento, mas cuidado: podemos formar bons arquitetos, engenheiros, médicos, mas que talvez saiam da universidade com mentes de escravos, para um sistema de dominação. Temos que construir um novo pensamento, e Paulo Freire nos ensinou a educação como prática de liberdade”.

 

Convidado a falar sobre “Educação e Democracia no século 21”, Esquivel fez um panorama das democracias nos países latino-americanos. “A América Latina está em uma situação difícil, há muitos golpes de estado”, considerou, citando as deposições de governos eleitos democraticamente em Honduras, no Paraguai e no Brasil. Esquivel apontou uma “metodologia” semelhante nos países, com dispositivos legais instrumentalizados por parlamentares e juízes para realizar manobras políticas. “Não há causalidades”, disse.

 

Esquivel considerou que o retrocesso está relacionado ao modelo de democracia delegativa – onde a sociedade é controlada por uma elite política – e disse que é preciso construir uma democracia participativa. “A democracia se constrói na pluralidade, diversidade e riqueza dos povos. A população deve ter a capacidade de mudar os mandatos e o poder judiciário para que estejam a serviço da justiça e do povo, e não das grandes corporações econômicas”.

 

Adolfo Pérez Esquivel recebeu o Nobel da Paz em 1980 por lutar contra as ditaduras militares na América Latina. Por sua atuação na defesa dos direitos humanos, foi preso e torturado na Argentina em 1977 e chegou a ser preso duas vezes no Brasil, em 1975 e em 1981. O ativista afirmou que a consolidação da democracia passa pela proteção aos direitos humanos. “direitos humanos e democracia são valores indivisíveis. Se violam os direitos humanos e os direitos do povos, a democracia desaparece. E é uma responsabilidade nossa”, salientou.

 

Nesse sentido, Esquivel considerou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como política, e disse que pediu sua soltura à Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). “Lula tirou da pobreza extrema mais de 30 milhões de homens e mulheres do Brasil, que começaram a recuperar-se como seres humanos, como pessoas. Isso é extraordinário”, destacou. O ativista disse que fará a indicação do ex-presidente ao Prêmio Nobel da Paz.

 

Jacques de Novion, vice-presidente da ADUnB, afirmou o compromisso da nova gestão na retomada dos grandes debates e diálogos dentro da Universidade de Brasília, para “fortalecer as lutas e ações coletivas neste momento de grande ameaça à educação pública”, e disse que serão realizados mais eventos ao longo do semestre.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 16/08/2018, com informações ADUnB

 
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