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Inovação e desafios para o desenvolvimento regional

Qua, 18 de Julho de 2018 14:39

A FAPESP convidou um grupo de especialistas em desenvolvimento regional, brasileiros e estrangeiros, para debater políticas de fomento ao desenvolvimento tecnológico, obstáculos à inovação em pequenas empresas e desafios que as tecnologias digitais (IoT, indústria 4.0, entre outras) impõem aos ecossistemas de inovação.

 

O encontro, em 8 de junho de 2018, foi um desdobramento da conferência internacional Innovation Systems, Strategies and Policy (InSySPo), realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nos dias 6 e 7 de junho (leia mais em http://agencia.fapesp.br/27978).

 

Participaram do encontro Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da FAPESP; Sérgio Queiroz, membro da Coordenação Adjunta - Pesquisa para Inovação da Fundação, Nicholas Vonortas, professor da George Washington University e pesquisador responsável pelo projeto Sistemas de Inovação, Estratégias e Políticas, apoiado pela FAPESP na modalidade São Paulo Excellence Chair (SPEC); André Furtado, do Instituto de Geociências da Unicamp; e Giancarlo Stefanuto, consultor em Políticas Públicas, entre outros especialistas.

 

O debate, sintetizado no documento Regional Innovation Ecosystems, Entrepreneurship, and Challenge for Small Business, foi orientado por três questões: as políticas-chave para estimular a contribuição de empresas intensivas de conhecimento para a atualização tecnológica e o desenvolvimento regional; os obstáculos à inovação em pequenas empresas e seu enfrentamento em nível regional; e os requisitos para que regiões/cidades adiram à próxima onda digital (IoT e indústria 4.0).

 

Em relação às políticas-chave para o desenvolvimento regional, os especialistas reconhecem que os governos intensificaram a atenção à geração de empresas intensivas de conhecimento como estratégia de produção de riqueza, emprego, inovação e oportunidades. “Essas empresas são parte crítica dos ecossistemas regionais de inovação, ao lado de universidades, institutos de pesquisa e o setor financeiro”, disse Pacheco.

 

Dois projetos ilustram essa integração entre universidades e empresas: o Distrito da Inovação, próximo à Universidade de São Paulo (USP), uma iniciativa da FAPESP e da prefeitura municipal de São Paulo, e uma nova área, junto à Unicamp, em Campinas, voltada ao apoio às empresas de alta tecnologia. O grande desafio é encontrar meios e modos de implementar iniciativas como essas num período de restrição de recursos do setor público.

 

A saída pode estar no maior envolvimento do setor privado, ponderaram os participantes do debate. Estudos recentes do Banco Mundial demonstraram que o setor público é o principal investidor no caso da pesquisa básica, mas o engajamento do setor privado em ecossistemas estratégicos de inovação é crucial para traduzir iniciativas científicas em mudanças tecnológicas alavancadas por inovação.

 

Essa complementaridade, segundo os pesquisadores, deve ser estimulada por políticas de geração e atração de empresas intensivas em conhecimento e alto perfil tecnológico, que funcionariam como âncoras do ecossistema de inovação. Além de gerar demanda por soluções tecnológicas, essas âncoras têm força para semear o empreendedorismo e a inovação.

 

Mas isso não basta. “Se o objetivo é maximizar a capacidade inovadora dos ecossistemas, as empresas-âncoras devem oferecer ativos complementares à estrutura produtiva local que permitam criar interfaces significativas com outros atores”, disse Sérgio Queiroz.

 

A seleção de parceiros estratégicos, portanto, tem que fazer parte do processo de formulação de políticas públicas para o desenvolvimento regional, dando relevância ao conceito de “especialização inteligente”.

 

Segundo Queiroz, há também que se reforçar o protagonismo das universidades. A integração entre as universidades e o mercado avançou, mas é preciso facilitar a sua integração com as cadeias de valor para colocar em movimento o círculo virtuoso de conhecimento em níveis local e regional.

 

Mais que isso: as universidades devem se constituir hubs de empreendedorismo intensivo em conhecimento, fortalecendo o potencial inovador das cidades brasileiras, ao mesmo tempo em que solidificam uma cultura empreendedora por meio de programas de pós-graduação orientados para o mercado e mentoria de ex-alunos experientes, recomenda o documento elaborado ao final do encontro.

 

O problema é como promover a cooperação entre universidades e empresas e, ao mesmo tempo, direcionar para a inovação empresas que, historicamente, adotam atividades de baixa tecnologia, avessas que são ao risco.

 

A primeira recomendação dos especialistas é investir na infraestrutura física e social da região. A redução dos custos de deslocamento, a facilidade de fluxo de pessoas, a acessibilidade a moradias, parques, bares e museus são fatores de atração, por exemplo, de jovens talentos. “Questões relacionadas à qualidade de vida estão intimamente ligadas à lógica moderna dos ecossistemas de inovação”, disse Queiroz.

 

Obstáculos à inovação

 

A segunda pergunta debatida no encontro estava relacionada à superação, em nível regional, de obstáculos à inovação enfrentados por pequenas empresas: falta de financiamento e de pessoal qualificado, excesso de regulação, entre outros problemas que exigem ação coordenada entre os diferentes níveis de governo.

 

Alguns desses obstáculos poderiam ser superados por meio de iniciativas como a da norte-americana iCorps e do Programa PIPE Empreendedor, da FAPESP, que apoia empreendedores na calibragem de seus planos de negócios para mirar também o mercado externo. “No entanto, forçar as empresas a muito cedo se tornarem globais é um risco, já que a concorrência internacional é difícil”, disse André Furtado. Antes de migrar para novos mercados, é preciso crescer e investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

 

Outra saída é implementar a articulação de redes de negócios que facilitem o acesso a financiamento, à tecnologia e aos mercados, apontam os especialistas. E destacam que, neste quesito, as empresas-âncora são fundamentais. Esses parceiros fornecem acesso a cadeias de valor globais, auxiliam as novas empresas a alcançar a infraestrutura de mercado global e ainda ajudam-nas a aprender com os colaboradores de companhias mais experientes.

 

Entre todos os obstáculos à inovação o principal é o financiamento de risco, segundo os pesquisadores. No estágio inicial da vida das empresas intensivas em tecnologia, elas demandam apoio de investidor-anjo, crowdfunding, capital de risco, entre outros, que, além de recursos, oferecem às startups expertise gerencial. Vários países adotam programas de intermediação financeira para amparar empresas na travessia do chamado “vale da morte”, como o SBIR, nos Estados Unidos, e o PIPE, no Brasil.

 

A sustentabilidade de um ecossistema de inovação depende, ainda, de que ferramentas científicas e tecnológicas disponíveis em universidades e institutos de pesquisas estejam também conectadas ao ambiente empresarial.

 

Nos Estados Unidos, as empresas compartilham o uso de facilities, de nanotecnologias a laboratórios de manufatura avançada. “Esses arranjos tornam o sistema de C&T sustentável, por compartilhar tanto conhecimentos básicos avançados quanto custos de pesquisa entre os institutos públicos e o setor privado”, disse Queiroz.

 

Tecnologias digitais

 

A terceira pergunta respondida por especialistas foi: como as regiões/cidades devem se preparar para a próxima onda digital? Eles analisaram, notadamente, o caso de Campinas, que reúne centros de tecnologia e habilidades técnico-científicas nas áreas de telecomunicações, software, dispositivos eletrônicos, entre outros, além de contar com uma importante concentração de universidades e institutos de pesquisa e de empresas líderes em tecnologia da informação e comunicação.

 

Campinas obteve recentemente apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para se transformar em Cidade Inteligente. Está em andamento uma pesquisa com o objetivo de identificar tendências em IoT, entender o ecossistema de Campinas, em termos de oferta de tecnologia, e identificar demandas, além, é claro, de definir planos de ação.

 

No caso de Campinas, qualquer planejamento de ação ultrapassa, no entanto, as competências e disponibilidades regionais. “É fundamental conectar outros níveis de interlocução, inclusive internacional, e engajar novos parceiros para que a cidade se fortaleça como hub para a indústria 4.0 no Brasil”, disse Giancarlo Stefanuto.

 

O sucesso depende de que as metas sejam claras e definidas. Uma das regras para criar um ambiente dinâmico inovador é compartilhar informações e disponibilizar os dados publicamente. “Essa regra, aliás, é um dos fundamentos de Cidades Inteligentes”, acrescenta Nicholas Vonortas.

 

Cidades distintas têm estratégias de inovação distintas. Stellenboch, na África do Sul, por exemplo, adotou uma estratégia para saltar etapas na implementação de transformação digital: identificou tecnologias utilizadas em outros lugares e fez a sua atualização tecnológica. Barcelona, por sua vez, selecionou os 10 principais problemas da cidade e convocou o público para propor resoluções.

 

“Em qualquer caso, o plano de ação, que envolva iniciativas dos setores público e privado, exige a participação das partes interessadas em geral por meio de chamadas de propostas relativas à solução escolhida para melhorar a vida dos cidadãos”, disse Vonortas.

 

Um caminho interessante pode ser o da identificação de um “gatilho” que desencadeie as mudanças tecnológicas. E esse gatilho poderia estar na área de Saúde, que demanda melhorias.

 

“Isso pode proporcionar uma grande oportunidade, tanto para São Paulo como para Campinas, de atuarem como ponta de lança da transformação digital, além de aproveitar a presença de ambientes acadêmicos fortes em termos de faculdade de medicina e atividade de pesquisa. Além disso, reunir no debate os hospitais privados, internacionalmente reconhecidos, é de suma importância”, disse Vonortas.

 

Participaram do InSySPo: Álvaro Prata (MCTIC), Anderson Ribeiro Correia (ITA), André Alves (Unicamp), André Gasparotti (Embraer), Antonio Carlos Marques (AUSPin), Anwar Aridi (Banco Mundial), Arnaldo Rodrigues dos Santos Júnior (UFABC), Bruno Fischer (Unicamp), Carlo Pietrobelli (Maastricht), Carlos Passos (Prefeitura de Campinas), Clement Bert Erboul (Unicamp), Dirk Meissner (HSE/Moscou), Fabio Kon (FAPESP), Fernanda Ultremare (FCE/UFRS), Franco Malerba (Bocconi University), Gabriela Dutrénit (Unam/Mexico), Gerson Valença Pinto (FAPESP), Gulia Monemarsan (OCDE/France), Irineu Lima Jr, (Unicamp), Jeong-Dong Lee (SNU/Korea), Márcio Girão (Finep), Maureen McKelvey (University of Gothenburg, Suécia), Newton Frateschi (Inova Unicamp), Paola Schaeffer (Unicamp), Paulo Feitosa (Unicamp), Paulo Figueiredo (FGV-RJ), Paulo Zawislak (UFRGS), Rafaela Andrade (Unicamp), Robbert Tijssen (Leiden University, Holanda), Ron Boschma (Utrecht University) e Rosane Marques (BID).

 

Fonte: Portal Agência FAPESP

 
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