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Fronteiras do etanol de cana-de-açúcar

Sex, 18 de Maio de 2018 11:07

Mais de 100 nações exploram a cana-de-açúcar, mas o desempenho do Brasil nesse campo da agroindústria é singular. O país é o maior produtor mundial, com 646 milhões de toneladas colhidas na safra de 2017/2018, e as usinas do país têm rendimento elevado, fabricando açúcar e etanol em larga escala e recorrendo à queima de resíduos de cana para gerar eletricidade.

 

Um grupo de pesquisadores do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp) dedicou os últimos cinco anos a estudar por que o modelo adotado no Brasil não teve o mesmo sucesso em outras nações de clima tropical e quais seriam as condições necessárias para que a América Latina e a África consigam ampliar a produção de bioenergia. O projeto foi apoiado pela FAPESP, no âmbito do Programa BIOEN.

 

“A formação de uma rede robusta de países produtores do etanol de cana é importante para consolidar o mercado de biocombustíveis”, explica o engenheiro agrícola Luis Cortez, professor da Unicamp. “O objetivo do nosso projeto é gerar conhecimento para orientar estratégias desses países.”

 

Cortez é o líder do Lacaf (Bioenergy Contribution of Latin America & Caribbean and Africa to the GSB Project), projeto temático iniciado em 2013 e vinculado ao Global Sustainable Bionergy (GSB), iniciativa para discutir a viabilidade da produção de biocombustíveis em larga escala e em nível mundial (ver Pesquisa FAPESP nos 162 e 163).

 

O Lacaf foi estruturado para dar resposta a três perguntas. A primeira é: por que um país latino-americano ou africano se interessaria em produzir etanol? “A experiência do Brasil, que criou uma indústria do bioetanol e utiliza o combustível para adicionar à gasolina, responde em parte a essa pergunta”, afirma o engenheiro Luiz Horta Nogueira, pesquisador da Universidade Federal de Itajubá e do Nipe. “Mas há um pano de fundo, que são as assimetrias no desenvolvimento. América Latina e África estão ficando mais distantes de sociedades industrializadas na Ásia. A bioenergia ajudaria essas regiões a ganhar fôlego.”

 

A segunda pergunta do projeto foi: quanto etanol poderia ser produzido de modo sustentável? Os pesquisadores testaram cenários conservadores. Em artigo publicado em janeiro na revista Renewable Energy, o grupo constatou que países como Guatemala, Nicarágua e Cuba poderiam substituir por etanol 10% da gasolina e entre 2% e 3% do diesel que consomem apenas por meio de ganhos de produtividade em usinas e destilarias, sem precisar ampliar a área plantada de cana. Já a Bolívia, com um pequeno avanço dos canaviais sobre áreas de pasto, conseguiria substituir 20% da gasolina e do diesel e ainda exportar etanol excedente. O uso do bagaço para produzir eletricidade poderia suprir as necessidades de um terço dos 11% da população boliviana sem acesso à eletricidade.

 

Na África, os impactos seriam ainda mais diversos. Um paper publicado pelo grupo em 2016 na Frontiers in Energy Research mostrou que a expansão da cana em 1% das áreas de pastagens em Angola, Moçambique e Zâmbia geraria um volume de combustível capaz de substituir 70% da madeira usada em fogões a lenha que enfumaçam as cozinhas e causam danos à saúde. A queima de resíduos da cana poderia ampliar em 10% a geração de eletricidade em Moçambique, Malawi, e Zâmbia, e em 20% em Angola.

 

Ao responder à terceira pergunta – como, então, ampliar a produção? –, os pesquisadores constataram que não existe um caminho único, ainda que o modelo do Brasil possa servir de inspiração. Colômbia, Argentina, Guatemala e Paraguai adotaram um sistema semelhante ao brasileiro, com usinas de grande porte produzindo etanol, açúcar e energia. “Isso de certa forma é uma comprovação de que o modelo é sustentável”, diz o engenheiro Manoel Régis Leal, pesquisador do Nipe-Unicamp. É certo que a escala de produção não é comparável: estima-se que o Brasil seja responsável por três quartos da produção de cana do continente, enquanto os demais países dividem os 25% restantes. “Mas regiões como o Vale do Cauca, na Colômbia, com campos de cana irrigada, têm produtividade elevada”, informa Leal.

 

Existem formas distintas de uso da terra em que a matéria-prima é produzida. No Brasil, em média, um terço da cana é plantado em propriedades da usina, outro terço em terra arrendada e o terço final é adquirido de produtores independentes. “Mas nem todas as usinas são assim e há lugares, como Índia e Tailândia, em que 100% da cana é fornecida por pequenos produtores”, explica Leal.

 

Leia a íntegra da reportagem em http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/04/19/fronteiras-do-etanol-de-cana-de-acucar/?cat=politica.

 

Fonte: Portal Agência FAPESP

 
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