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Brasil é penúltimo em ranking de competitividade

Seg, 19 de Fevereiro de 2018 14:07

O País está na mesma posição desde 2012, quando o ranking da CNI começou a ser divulgado

 

O Brasil está em penúltimo lugar em um ranking de competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 18 países divulgado ontem.

 

O País está na mesma posição desde 2012, quando o ranking co­meçou a ser divulgado, e só fica à frente da Argentina, mas já corre o risco de ser superado pela vizinha. Isso porque a Argentina teve avan­ços recentes e passou à nossa frente em 2017 em dois fatores: ambien­te macroeconômico e ambiente de negócios, onde somos último lugar.

 

No fator Ambiente Macroeco­nômico, taxa de inflação, dívida bruta, carga de juros elevadas e baixa taxa de investimento contri­buem para a falta de competitivi­dade brasileira. No fator Ambiente de negócios, o Brasil tem a coloca­ção mais baixa em variáveis como Pagamentos irregulares e subor­nos, Transparência das decisões políticas, Facilidade em abrir uma empresa e Regras trabalhistas de contratação e demissão.

 

Além disso, a Argentina tam­bém supera o Brasil em outros três quesitos: disponibilidade e custo de capital, infraestrutura e logística e educação. “A Argen­tina vem melhorando seu am­biente de negócios e reduzindo o desequilíbrio das contas públi­cas”, afirma o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, em nota para a imprensa.

 

O Brasil é último lugar também no pilar de Disponibilidade e Custo de Capital devido a fatores como a mais alta taxa de juros real de cur­to prazo e o maior spread de juros entre todos os países analisados.

 

Também temos a maior des­pesa sobre juros incidentes sobre a dívida do governo e perdemos três posições no quesito Desem­penho do Sistema Financeiro por causa da piora na classificação de crédito. O Brasil só não caiu para a última posição do ranking ge­ral porque nos fatores em que es­tamos na frente, nosso desempe­nho é muito superior.

 

O Brasil teve em 2017 uma me­lhora importante, por exemplo, no quesito Disponibilidade e custo de mão de obra, com avanço da 11ª para a 4ª posição, de longe a nossa melhor colocação entre os fatores.

 

Isso pode ser explicado pela maior produtividade do trabalho na indústria brasileira, o alto custo da mão de obra nos países desen­volvidos e a recuperação da nos­sa taxa de crescimento da força de trabalho. O Brasil também está na frente da Argentina em competi­ção e escala do mercado domésti­co (12º lugar contra 18º), peso dos tributos (15º lugar contra 18º) e tec­nologia e inovação (13º contra 15º).

 

Metodologia

 

Os países analisados pelo ran­king foram, na ordem de classifica­ção: Canadá, Coreia do Sul, Austrá­lia, China, Espanha, Chile, Polônia, Tailândia, Turquia, Rússia, Indo­nésia, África do Sul, Índia, México, Colômbia, Peru, Brasil e Argentina.

 

Os fatores analisados foram disponibilidade e custo de mão de obra, disponibilidade e custo de capital, infraestrutura e logís­tica, peso dos tributos, ambien­te macroeconômico, competição e escala do mercado doméstico, ambiente de negócios, educação e tecnologia e inovação.

 

Estes fatores foram desdobra­dos em 20 subfatores, aos quais foram associadas 56 variáveis. Vale lembrar que para medidas de competitividade não basta me­lhorar; para subir no ranking, é necessário melhorar mais do que seus competidores.

 

Um exemplo: o Brasil melhorou suas notas em todos os modais de transporte em relação ao ranking de 2016, mas como os outros paí­ses evoluíram mais, o único avan­ço relativo foi em Qualidade das ro­dovias (da 16ª para a 15ª posição).

 

No último ranking de compe­titividade do Banco Mundial, di­vulgado em setembro de 2017 e que emprega uma metodologia mais ampla, o Brasil parou de cair pela primeira vez desde 2012 e subiu de 81º para 80º entre 137 países analisados. Já no ran­king da escola de negócios suíça IMD divulgado em maio do ano passado, o Brasil ficou no 61º lu­gar entre 63 países, com queda de 23 posições desde 2010.

 

Confira aqui o ranking Competitividade Brasil 2017-2018, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 

Fonte: Jornal da Ciência, 16/02/2018, com informações DM

 
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