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Indústria sem inovação: estudo aponta defasagem de 14 setores

Sex, 16 de Fevereiro de 2018 16:05

De 24 setores da indústria brasileira, pelo menos 14 precisam adotar com urgência estratégias de digitalização de processos para se tornarem internacionalmente competitivos, conforme estudo inédito divulgado este mês pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), intitulado “Oportunidades para Indústria 4.0: aspectos da demanda e oferta no Brasil”.

 

O documento cruza dados de produtividade, exportações e taxa de inovação de diversos setores industriais e os compara ao desempenho desses segmentos nas 30 maiores economias do mundo, que, juntas, representam 86% do PIB mundial. Em Minas, dos 14 setores considerados com nível baixo de aderência à Indústria 4.0 – que, juntos, representam 40% do PIB industrial brasileiro -, praticamente todos sofrem essa defasagem e encontram dificuldades, em graus variados, para implantar essas tecnologias, melhorando seu grau de competitividade.

 

“A indústria brasileira, como um todo, está bem aquém do ideal no que diz respeito à Indústria 4.0, conceito que começou a ser discutido na Alemanha, em 2011, e que, aos poucos, ganhou corpo e aplicação em países mais desenvolvidos”, diz o gerente de Educação para a Indústria do Senai-MG, Ricardo Aloysio.

 

“Em Minas não é diferente: temos muitos setores que ainda precisam percorrer um longo caminho para adotar essas estratégias, reduzindo custos, aumentar produtividade e obtendo ganhos de qualidade na produção”, acrescenta.

 

Entre os setores onde se vê maior distância da Indústria 4.0, no Estado, embora todos enfrentem gargalos, destacam-se os de produção ainda em estágio mais rústico, segundo Aloysio. São os casos do de vestuário, de calçados e de móveis.

 

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG), Luciano Araújo, também vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), no segmento o problema é bem visível. “O nosso setor é reconhecido nacional e até mundialmente pela criatividade e pelo excelente design dos produtos”, diz. “Mas creio que ainda não estamos dando a devida atenção a aspectos como as inovações digitais nas plantas das indústrias e nos processos produtivos, o que melhoraria nossa competitividade diante de concorrentes, principalmente, de outros países”, acrescenta.

 

Um dos entraves, segundo Araújo, reside no fato de que a maior parte das 7 mil confecções mineiras filiadas ao sindicato, nas quais atuam 130 mil trabalhadores, é formada por micro e pequenas empresas, que passaram por momentos delicados durante a recente recessão e encontram-se descapitalizadas para investir, mesmo que o custo da digitalização seja baixo. “Essas empresas têm uma dificuldade muito grande de autofinanciamento e é preciso que haja programas específicos para que possam dar o necessário salto tecnológico”, afirma o presidente.

 

Araújo, que assumiu a direção do Sindivest-MG em dezembro, cita medidas que devem ser tomadas este ano para ampliar o emprego de inovações nas confecções. Uma delas é reforçar aos associados as ações do programa Brasil Mais Produtivo, mecanismo criado pelo Senai e pelo governo federal para aprimorar a performance e a qualidade da indústria, fazendo com que atinjam o grau 4.0. “Nossa intenção é que os empresários disponham de consultorias e façam visitas, no Brasil e no exterior, para conhecer e ter acesso a novas tecnologias. Isso pode despertar o interesse pela inovação, como é o caso da ‘lean manufacturing’, ou a manufatura enxuta, que reduz custos e vem sendo implantado em algumas indústrias”, ressaltou.

 

Pensando na divulgação das tecnologias digitais entre o empresariado, o Senai-MG informou que treina, desde 2017, 40 técnicos para multiplicar os novos conceitos no Estado. “São pessoas escolhidas estrategicamente e 12 delas serão experts em Indústria 4.0”, diz o gerente Ricardo Aloysio.

 

Competitividade

 

Apesar de reduzir custos e aumentar a produtividade em todos os tipos de indústria, é difícil mensurar resultados econômicos abrangentes da implantação do conceito de Indústria 4.0 – em um segmento ou em todo o setor produtivo de um estado ou país.
Um dos fatores que inviabilizam a conta, segundo o diretor-executivo da PPI Multitask, especializada em Indústria 4.0, Marcelo Pinto, é o fato de cada setor e cada empresa estarem em diferentes estágios de modernização. “É complexo chegar a esses resultados gerais, embora seja possível calculá-los individualmente”, diz.

 

É inegável, contudo, que os 14 setores mais vulneráveis da indústria brasileira, e mineira, por consequência, podem elevar significativamente sua participação no PIB industrial brasileiro, caso façam tal adequação.
Os defasados são os setores de impressão e reprodução; farmacêuticos; químicos; minerais não-metálicos; couro e calçados; vestuário e assessórios; têxteis; máquinas e aparelhos elétricos; equipamentos de transporte; produtos de metal; máquinas e equipamentos; móveis; artigos de borracha e plástico; e produtos diversos.

 

Hoje, segundo o IBGE, na base de 2014, a última disponível, esses segmentos somados representam 40% da produção industrial nacional, que totaliza R$ 2,5 trilhões, e 38,9% do PIB da indústria, cujo montante é de R$ 1,1 trilhão.

 

É possível inferir que, se aplicassem todas as ferramentas da Indústria 4.0 e conseguissem melhorar conjuntamente sua performance em 20%, por exemplo, isso significaria R$ 1 trilhão a mais em participação na produção setorial e R$ 420 bilhões de acréscimo ao PIB do segmento industrial.

 

Por outro lado, alertam especialistas, se não adotarem as novas tecnologias, e depressa, o mais provável é que percam competitividade, interna e externamente, e corram risco, inclusive, de se inviabilizar.
“Se a indústria brasileira não se adequar aos conceitos 4.0, como tem ocorrido em diversos países, casos de Alemanha, Estados Unidos e China, por exemplo, parte das empresas pode simplesmente ter de encerrar suas atividades”, afirma Marcelo Pinto.
“Cabe ao governo se mobilizar para criar políticas industriais que despertem a adesão a esses conceitos, porque as consequências de não fazer isso são inevitáveis”, conclui. , lembrando que agências como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), embora nem todos conheçam, financia projetos de digitalização.

 

Calçados

 

Também no setor calçadista, outro integrante da lista dos 14 segmentos considerados de baixo desempenho em tecnologia digital, a situação em Minas é de distância desse tipo de inovação. De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Pedro Gomes da Silva, foi apenas há dois meses que ele e outros empresários da região conheceram o conceito de Indústria 4.0.
Para se ter ideia, o pólo de Nova Serrana reúne 1,2 mil empresas, com mais de 20 mil trabalhadores.

 

“Participamos de um encontro em Belo Horizonte e fomos informados sobre essa nova revolução industrial pelos palestrantes do Senai”, disse. “Portanto, não se pode falar em defasagem, como se estivéssemos simplesmente atrasados na implantação de tecnologias, mas, sim, na ausência completa disso na indústria calçadista de Minas”, acrescentou.

 

Silva acredita, contudo, que a novidade pode se espalhar rapidamente entre as empresas do setor, desde que haja orientação por parte de órgãos como o Senai e linhas de financiamentos atraentes para a adoção de tecnologias.
Também no setor moveleiro mineiro existe desejo dos empresários de aderir à Indústria 4.0, mas faltam recursos. De acordo com o vice-presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá, na Zona da Mata, Michel Henrique Pires, muitos empresários das cerca de 100 fábricas associadas à entidade, integrantes de um dos mais importantes pólos produtivos do segmento em Minas, até já conhecem as tecnologias.

 

“Fizemos visitas à Alemanha e vimos de perto os benefícios da digitalização”, afirma. “O problema nas nossas empresas não é nem o custo dos softwares, mas o de renovação de maquinário, já que temos equipamentos antigos e incompatíveis”, completa.

 

Além disso

 

O conceito de Indústria 4.0 começou a ser debatido primeiramente na Alemanha, entre empresários e acadêmicos, no começo da década de 2010. Trata-se, segundo especialistas, da quarta revolução industrial, depois de três movimentos anteriores: a Indústria 1.0 (mecanização, energia a vapor e hidráulica), entre 1760 e 1840, a 2.0 (produção em massa, linha de montagem e eletricidade), entre 1850 e 1945, e a 3.0 (automação, computadores e uso de eletrônica e informática), de 1950 a 2010.

 

Na etapa 4.0, uma das características do processo industrial é o uso de tecnologias digitais para conexão de máquinas, por exemplo, em uma linha de montagem. É como se os equipamentos criassem um ambiente de Inteligência Artificial (IA), a chamada Internet das Coisas, “conversando” entre si e otimizando a produção.

 

Também integram o rol de ferramentas novidades tecnológicas como os robôs autônomos, os sistemas de informação integrados, os dados abrigados em nuvem, as impressões 3D, a realidade aumentada e as estratégias de cibersegurança.
Conforme o estudo divulgado pela CNI sobre o estágio da Indústria 4.0 no Brasil, a velocidade de disseminação das tecnologias habilitadoras dessa revolução indica que a chegada e a consolidação dela será muito mais rápida, se comparada às revoluções industriais anteriores.
“A capacidade de a indústria brasileira competir internacionalmente dependerá, portanto, da nossa habilidade de promover essa transformação”, diz o estudo.

 

Segundo a CNI, a necessidade desse salto tecnológico se dá especialmente pelo fato de a produtividade da indústria nacional ter caído durante 10 anos consecutivos na comparação com outros países, até 2014.
Esse problema, associado às dificuldades de inovação, aumentam a distância entre o Brasil e as economias mais ricas do planeta.

 

Fonte: Portal ANPEI, com informações Hoje em Dia

 
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