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Jovem pesquisadora do Inpa é diplomada membro afiliada da Academia Brasileira de Ciências

Ter, 05 de Setembro de 2017 08:54

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) realizou nesta quinta-feira (30), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), a cerimônia de diplomação e posse de cinco jovens pesquisadores da região Norte como novos membros afiliados. Entre os diplomados, está a pesquisadora Fernanda Werneck – vencedora do prêmio Para Mulheres, da L'Oréal, Unesco e ABC, em 2016. Os novos membros permanecerão afiliados à Academia no período de 2017 a 2021.

 

"Sinto-me muito feliz e honrada porque é um reconhecimento muito grande para a nossa carreira, num momento em que sabemos que a ciência deveria ser mais valorizada, que a saída para os grandes problemas do Brasil e da biodiversidade certamente passam pela ciência", afirmou.

 

A categoria de afiliados da ABC foi instituída pelo ex-presidente da ABC, o matemático Jacob Palis. É formada por jovens pesquisadores de até 40 anos de idade que ficam durante cinco anos, podendo, após esse período, retornar como membros titulares, se forem eleitos. O objetivo é reconhecer talentos jovens da ciência e, assim, incentivá-los nas carreiras científicas.

 

Mudanças climáticas

 

Herpetóloga, Fernanda Werneck trabalha com a diversidade de anfíbios e répteis. Entre suas linhas de pesquisa destaca-se o estudo dos efeitos das mudanças climáticas sobre esses organismos, que dependem das temperaturas ambientais para o desenvolvimento de suas funções. Assim, são esperados que sejam alguns elementos da fauna os primeiros impactados pelas mudanças climáticas.

 

As pesquisas desenvolvidas por ela indicam que, em resposta a estes incrementos de temperatura, muitas espécies podem vir a experimentar mudanças nos seus padrões de distribuição e seguir esses novos climas favoráveis. Porém, há um risco maior para as espécies que não vão conseguir seguir os climas favoráveis ou passar por processos adaptativos. Nesse caso, há possibilidade de colapsos populacionais e extinção.

 

"Nossa pesquisa tentar quantificar esses riscos e quais espécies ou quais regiões estão mais vulneráveis a apresentar altos riscos de extinção das populações de lagartos", explica Fernanda, ressaltando que o seu grupo de pesquisa tem investigado, por exemplo, quais regiões periféricas na Amazônia representam maior pressão de temperaturas ambientais e quais os efeitos nas regiões na transição entre a Amazônia e o Cerrado.

 

Também foram diplomados pela ABC os pesquisadores José Júlio de Toledo, da Universidade Federal do Amapá (Unifap); Wuelton Marcelo Monteiro, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); José Nazareno Vieira Gomes , da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e Joyce Kelly do Rosário da Silva, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

 

Participaram da cerimônia o presidente da ABC, Luiz Davidovich; o vice-presidente da Regional Norte, Roberto Dall'Agnol; o diretor do Inpa, Luiz Renato de França; e o pesquisador Niro Hugchi, membro titular da ABC; além dos pesquisador Adalberto Luis Val e Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas.

 

"Para o Inpa, em particular, é altamente meritório ter a pesquisadora Fernanda Werneck como membro afiliada da ABC. Ela é uma pesquisadora ativa e ganhou recentemente o prêmio L'Oreal", disse Luiz Renato de França, destacando a importância da ciência para que um país expresse o seu potencial.

 

Para Dall'Agnol, a diplomação dos novos membros afiliados da ABC é, em primeiro lugar, uma afirmação da qualidade da pesquisa que se faz na região Norte. "Esta cerimônia é também o espírito da Academia de buscar uma renovação permanente e de dar espaço para jovens cientistas mostrar seus trabalhos e conseguir espaço dentro do cenário nacional e internacional."

 

"É um instrumento de renovação muito útil, porque traz ideias novas de jovens pesquisadores para o convívio da Academia", acrescentou o presidente da ABC, Luiz Davidovich.

 

Segundo ele, a diplomação de cientistas da região Norte tem um significado muito especial pelo que a Amazônia representa para o país e para o mundo. "Temos aqui 20% da diversidade mundial da qual conhecemos apenas cerca 5%. É um imenso tesouro a explorar", observou. "Eu acho que a biodiversidade é a solução para a Amazônia, ou seja, a exploração da biodiversidade com a pesquisa, aliada à construção de um complexo industrial baseado na biodiversidade nacional."

 

Fonte: Portal MCTIC

 
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