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A crise da cultura, ciência e tecnologia brasileira vai além da disponibilidade de recursos

Qui, 17 de Agosto de 2017 10:01

Artigo de Rosana Mazzoni, professora associada do Departamento de Ecologia, no Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

 

As políticas de austeridade que vêm sendo impostas pelo governo brasileiro de todos os níveis, federal, estadual e municipal (1), são apenas a ponta de um grande iceberg. Esse iceberg tem nome e está a serviço de um projeto maior de desmantelamento das políticas públicas e sociais do País. O nome desse iceberg é Poder Econômico e vem sendo fortemente protegido por políticas neoliberais que visam calar a voz dos cérebros críticos e a ascensão das classes menos favorecidas.

 

O Brasil, nas últimas duas décadas, prosperou brilhantemente tanto no cenário nacional como no cenário internacional. Os centros de excelência onde são criados profissionais que prezam e lutam pela pesquisa e pelo ensino de ponta e qualidade, tais como as universidades públicas, receberam investimentos que redundaram no aumento de cidadãos críticos (2, 3). Esses Centros abriram suas portas, através de políticas públicas de inclusão, às classes menos favorecidas da população brasileira, classes que nunca tiveram acesso a esses ambientes de produção de saber e formação profissional de qualidade (4). Hoje os primeiros filhos dessa abertura estão saindo para o mercado de trabalho e competindo de igual para igual com os filhos das classes dominantes.

 

É fácil perceber que esse processo não é bem visto por alguns, pois a visão crítica, a disputa por postos de trabalho e por bancos nas universidades ficou mais acirrada. Associado à isso, a intenção de colocar nas mãos da empresa privada as Universidades públicas e os grandes Centros de Pesquisa, que produzem cérebros críticos, é sem dúvida uma estratégia que protege o iceberg e sua proposta político-social. Atrelado ao desmantelamento da educação e da ciência e tecnologia, várias reformas estão sendo comandadas pelo governo federal. Uma das mais importantes se refere à terceirização do trabalho brasileiro que, de acordo com a perspectiva do "iceberg", beneficiará o empresariado e seus ganhos de capital. Esse empresariado está na iminência de se apoderar de todo o arsenal científico e tecnológico do País, a partir do projeto de privatização da Ciência e Tecnologia, o que lhes dará autonomia para decidirem o que "interessa" em termos de pesquisa e educação.

 

Além do projeto de terceirização, várias outras reformas estão sendo levadas a cabo e fazendo com que as conquistas duramente alcançadas nas últimas décadas sejam perdidas no curto prazo. É triste e desolador constatar que um País que vinha avançando em suas políticas públicas e sociais veja esse retrocesso acontecer. Se continuarmos nesse caminho deliberadamente assumido, serão necessárias muitas outras décadas para que se retome o curso da democracia e da igualdade de direitos no Brasil.

 

Referências disponíveis no site.

 

*Este artigo expressa exclusivamente a opinião da autora

 

Fonte: Jornal da Ciência, 15/08/2017

 
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