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CTNBio aprova cana-de-açúcar transgênica e Brasil será primeiro país do mundo a iniciar a produção

Seg, 12 de Junho de 2017 10:15

Decisão tomada nesta quinta-feira (8) pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança foi baseada na segurança dos estudos, afirmou relator do pedido. Cana geneticamente modificada é resistente à broca do colmo, praga comum nos canaviais do centro-sul do País

 

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, nesta quinta-feira (8), a liberação comercial de cana-de-açúcar geneticamente modificada. Com isso, o Brasil vai ser o primeiro país do mundo a produzir esse tipo de cana. A CTNBio também aprovou a liberação comercial de uma vacina viva recombinante contra a influenza de equinos, denominada Proteqflu.

 

“Desde os tempos coloniais, a cana-de-açúcar tem um papel importante para a economia brasileira. O fato é que o Brasil desenvolveu e vai ser o primeiro país do mundo a aplicar a biotecnologia em cana. Com isso, a produtividade e a qualidade do produto devem aumentar”, avaliou um dos relatores do pedido, o professor Jesus Aparecido Ferro, do Departamento de Tecnologias da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

 

Ele ressaltou que a decisão da CTNBio é baseada na segurança dos estudos comprovados. “Da maneira que está sendo produzida, não oferece nenhum risco”, ressaltou.

 

O pedido de liberação foi feito pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que desenvolveu uma variedade da planta resistente à broca do colmo, praga comum nos canaviais do centro-sul do País.

 

Segundo o presidente da CTNBio, Edivaldo Velini, em duas décadas de existência, a comissão elaborou relatórios acerca de 74 pleitos de Liberação Planejada no Meio Ambiente (LPMA) de cana-de-açúcar transgênica. “A liberação da cana, decisão tomada hoje pela maioria dos membros da CTNBio, é, certamente, uma tecnologia que será importante para o futuro do Brasil”, afirmou.

 

Indústria nacional

 

De acordo com o diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, as 360 usinas sucroalcooleiras do Brasil movimentam, anualmente, R$ 100 bilhões de valor bruto por toda a cadeia. Além disso, geram cerca de 1 milhão de empregos formais diretos e mobilizam 70 mil produtores independentes. “Somos o terceiro segmento na pauta de exportação do agronegócio do Brasil, principalmente no mercado de açúcar, com R$ 14 bilhões em divisas”, disse. “Há impacto em mais de mil municípios.”

 

Na visão de Sousa, o investimento em tecnologia canavieira costuma ter baixo retorno financeiro, porque predomina em países emergentes, diferentemente de culturas como beterraba e milho, presentes nos Estados Unidos e na Europa. “Muito disso é explicado pelo fato de não haver tanto interesse de grandes multinacionais em cana-de-açúcar”, ponderou. “São as empresas nacionais que colocam recursos, em busca de avançar em produtividade.”

 

Histórico

 

O CTC protocolou em 27 de dezembro de 2015 o pedido de liberação comercial que motivou uma audiência pública realizada em outubro passado, em Brasília. O processo de liberação da cana-de-açúcar resistente à broca do colmo aguardava deliberação das subcomissões setoriais ambiental, animal, vegetal e de saúde humana da CTNBio.

 

A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Sua finalidade é prestar apoio técnico-consultivo e assessoramento ao governo federal para formular, atualizar e implementar a Política Nacional de Biossegurança. Agora, a liberação da cana de açúcar segue para registro e avaliação do Ministério da Agricultura.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 09/06/2017, com informações MCTIC

 
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